- O embaixador do Irã na Arábia Saudita diz que as relações com os estados do Golfo exigirão uma “revisão séria” devido à guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
- Enayati afirma que o Irã não é responsável pelos ataques à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita e que, se tivesse feito, anunciaria; ele não apontou outros responsáveis.
- Os Gulf, com mais de duas mil ofensivas com mísseis e drones desde o início da guerra, foram atingidos em infraestrutura de óleo, portos e bases, entre outros alvos.
- Todos os países do Golfo condenaram o Irã, enquanto a cúpula regional manifesta frustração com a presença de potências externas na segurança da região.
- Em 2023, Arábia Saudita e Irã reestabeleceram relações diplomáticas plenas; Enayati diz manter contato com Riyadh e defende que a região busque prosperidade com cessar ataques externos.
Airaniana: Irã defende necessidade de revisão séria de vínculos com o Golfo diante da guerra liderada pelos EUA e Israel. Em resposta escrita à Reuters, o embaixador do Irã na Arábia Saudita, Alireza Enayati, disse que as relações regionais precisam ser reavaliadas. O objetivo é reduzir a influência de potências externas para permitir prosperidade na região.
Enayati reforçou que o Irã considera a relação entre vizinhos indispensável, mas aponta que décadas de exclusão e dependência de potências externas contribuíram para a instabilidade. O embaixador pediu aprofundamento dos laços entre o Conselho de Cooperação do Golfo, com seus seis membros, além de Irã e Iraque.
A região vem sendo atingida por ataques com mísseis e drones desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, com alvos que vão de missões diplomáticas a bases militares e infraestrutura de petróleo. Analistas dizem haver frustração com Washington e Jerusalém por envolverem países da região no conflito.
Não responsabilização de Teerã pelos ataques à infraestrutura saudita
Enayati negou que o Irã tenha sido responsável pelos ataques à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita, citando alvos como a refinaria Ras Tanura e tentativas de ataques ao campo petrolífero Shaybah. O embaixador afirmou que, se o Irã tivesse realizado esses ataques, já os teria anunciado. Não especificou quem seria o responsável.
O governo saudita não atribuiu culpa a indivíduos por episódios específicos, segundo declarações oficiais. Enayati afirmou que o Irã vinha atuando contra alvos dos EUA e de Israel, sem detalhar ações concretas. Ele informou manter contatos com autoridades de Riade, com cooperação em áreas como a saída de peregrinos e assistência médica.
O embaixador disse ainda que o Irã está em comunicação com a Arábia Saudita sobre a posição pública do reino de que não usará território para atacar o Irã. Segundo ele, esse tema foi discutido pelas partes. Enayati defendeu que a solução para o conflito passa pela suspensão dos ataques e pela garantia internacional de não recidiva. Só então, segundo ele, o foco pode ser a construção de uma região mais estável.
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