- Canais de Telegram com anúncios de “modelos de IA” recrutam para golpes que usam deepfake e chamadas de vídeo para enganar vítimas nos Estados Unidos.
- A região do Sudeste Asiático abriga grandes operações de golpe, com centros de fraude que recrutam pessoas para atuar como modelos faciais.
- Vagas costumam exigir horários extenuantes, com até cerca de 100 a 150 chamadas de vídeo por dia, e oferecem salários de até $7.000 por mês; há pedido de retenção de passaporte.
- A maioria das candidatas é mulher jovem; recrutadores solicitam vídeo de apresentação, dados pessoais e, em alguns casos, estado civil e status de vacinação.
- Especialistas e organizações que estudam o tema apontam sinais de golpe, como localização em hubs de golpe e promessas de salários altos; a Telegram afirma combater conteúdo de golpe, avaliando caso a caso.
Do alto clipe de vídeos aplicando para vagas de IA, a WIRED revisou dezenas de canais no Telegram que publicam anúncios para “AI face models”. Usuárias, em sua maioria jovens, podem ser recrutadas para operações que exploram vítimas de golpes on-line.
As ofertas descrevem funções em que a pessoa fica diante de uma tela, realizando chamadas profundas para ajudar a enganar vítimas. A região do Sudeste Asiático, com destaque para Camboja, abriga redes de golpe que controlam milhares de pessoas em centros de atuação criminosa.
Como funcionam as candidaturas e onde ocorrem
As propostas de trabalho costumam exigir horas extras intensas e um calendário rígido, com relatos de até 100 a 150 chamadas por dia. Os anúncios pedem vídeos diários, mensagens de áudio e exigem dados como altura, peso e estado civil. A maior parte das candidatas são mulheres jovens.
A prática de usar faces trocadas por IA facilita golpes de romance, investimentos ou golpes financeiros. Agentes de segurançaHan- Ming Ngo aponta que há canais no Telegram oferecendo vagas de modelo de IA em cidades conhecidas por golpes. Organizações anti-tráfico estimam que as redes empregam modelos para ampliar o alcance das fraudes.
Contexto e consequências
Especialistas destacam que as chamadas com IA e a troca de faces alimentam redes que mantêm pessoas presas em centros de golpe. Alguns relatos mencionam contratos de meses, com retenção de passaporte para facilitar visto e trabalho. A maioria das candidaturas não traz identificação de empregadores específicos.
A ONG Humanity Research Consultancy e a EOS Collective acompanham casos de recrutamento em plataformas de mensagens e documentam impactos em vítimas de tráfico humano e em trabalhadores recrutados. Registros apontam que o uso de IA amplia o volume e a velocidade das operações criminosas.
Posição de plataformas e sinais de alerta
A Telegram informou que políticas proíbem conteúdo que incentive golpes e que avalia casos individualmente quando surgem dúvidas sobre o uso de imagens. A empresa ressalta que conteúdos legítimos podem exigir avaliação caso a caso.
Especialistas recomendam cautela com anúncios que prometem salários elevados para a região, localização de centros de golpe e exigência de habilidades em chinês. Alertam para sinais como envio diário de fotos, pedidos de confidencialidade e prazos curtos para entrevistas.
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