- O presidente Lula afirmou que o Brasil quer ampliar a produção de gás na Bolívia e aumentar as importações, com a assinatura de três acordos durante a visita do presidente boliviano Rodrigo Paz.
- Um dos acordos prevê a interconexão dos sistemas elétricos entre Germán Busch (Bolívia) e Corumbá (Mato Grosso do Sul) para levar energia a regiões ainda dependentes de diesel.
- Também foram firmados entendimentos de cooperação em mineração, turismo e combate ao crime organizado transnacional, incluindo prevenção, investigação, repressão e sanção de crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, crimes cibernéticos e ambientais.
- O comércio entre Brasil e Bolívia é citado como menor nos últimos anos, passando de 5,5 bilhões de dólares em 2013 para 2,6 bilhões em 2025.
- A reunião também destacou oportunidades de investimento em alimentos, lácteos, sementes, algodão, cana-de-açúcar e soja, além da construção da segunda ponte entre os dois países, prevista para iniciar em 2027, para facilitar o intercâmbio.
O Brasil pretende aumentar a produção de gás na Bolívia e ampliar as importações do insumo, segundo anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com o novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto. O objetivo é reforçar a segurança energética em meio a tensões globais.
Lula destacou a cooperação energética como pilar da relação entre os dois países e sinalizou que já houve conversas sobre ampliar investimentos nesse setor. A Petrobras, que já teve participação relevante na Bolívia, hoje opera cerca de 25% da produção local de gás natural, aquém da hegemonia de décadas passadas.
O governo brasileiro ressaltou que o Gasoduto Brasil–Bolívia foi determinante para o crescimento de ambos os mercados. A ideia é manter o gasoduto como ferramenta de integração regional e potencializar usos, inclusive para abastecer outras atividades industriais na Bolívia, como uma fábrica de fertilizantes em Puerto Quijaro.
Integração elétrica
Foi anunciado um acordo para interconectar os sistemas elétricos dos dois países. A proposta prevê a construção de uma linha de transmissão entre Germán Busch, na Bolívia, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O objetivo é reduzir a dependência de diesel em regiões atendidas pela nova linha.
Lula afirmou que o Brasil está disposto a apoiar também a produção de biocombustíveis e outras fontes renováveis na Bolívia, fortalecendo a segurança energética e a diversificação de fornecimento. A parceria busca, ainda, a descarbonização das economias.
Mineração e cooperação ampliada
Pelo lado boliviano, Paz ressaltou oportunidades de cooperação em mineração, destacando a diversidade de minerais do país. Os dois presidentes também trataram de temas como integração física, combate a ilícitos transnacionais, comércio e investimentos, migratórios e consulares.
Além da energia, foi firmado um acordo de cooperação turística para promoção do setor, qualificação profissional e formação na área. Um terceiro acordo visa fortalecer a coordenação para prevenir e reprimir crimes transnacionais, como tráfico de pessoas e narcotráfico.
Comércio e perspectivas
Lula lembrou que o Brasil é o segundo maior parceiro comercial da Bolívia, mas o intercâmbio está abaixo de patamares de anos anteriores. Em 2013, a balança comercial atingiu 5,5 bilhões de dólares; em 2025, ficou em torno de 2,6 bilhões.
O presidente brasileiro destacou abertura de oportunidades em alimentos, lácteos, sementes, frutas, algodão, cana de açúcar e soja, além de ampliar cooperação em biotecnologia com apoio da Embrapa. A comitiva boliviana participa de reuniões no Brasil para explorar investimentos.
Perspectivas de conectividade
Nos próximos meses, a construção da segunda ponte ligando Brasil e Bolívia, sobre o Rio Mamoré, deve facilitar o intercâmbio comercial. A obra, integrante das Rotas de Integração Sul-Americana, conectará Guajará-Mirim e Guayarámerin, com previsão de início em 2027.
Lula destacou que a ponte poderá melhorar a conectividade de produtores entre os dois países, facilitando escoamento para portos no Chile e no Peru e abrindo acesso a mercados asiáticos por via oceânica. A agenda busca ampliar operações e diversificar fontes de energia.
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