- O primeiro turno das eleições municipais na França ocorreu no dia 15, com avanços da extrema-direita e da esquerda radical, e abstenção em torno de quarenta e três por cento.
- A Reagrupamento Nacional lidera em mais de sessenta municípios e disputa vitórias em Perpignan e Hénin‑Beaumont; também chega ao segundo turno em Toulon, Nîmes e Nice, com Marselha como possível.
- O presidente Emmanuel Macron não pode concorrer; Édouard Philippe, aliado de centro-direita, deve buscar reeleição em Le Havre, sinalizando posição do bloco.
- A esquerda radical surpreendeu com Saint‑Denis, liderando a apuração em Roubaix e aparecendo na dianteira em Toulouse e Limoges, ainda sob controvérsias envolvendo figuras do movimento.
- As alianças para o segundo turno sinalizam tentativa de união entre socialistas, LFI e centro-direita em várias cidades, com Paris e Marselha figurando como cenários-chave para o bloco central.
O primeiro turno das eleições municipais na França ocorreu no domingo, 15, oferecendo uma leitura sobre o cenário político a um ano da eleição presidencial de 2027. O pleito, que envolve 35 mil localidades, aponta avanços da extrema-direita e da esquerda radical, em meio a listas locais.
A eleição mostra uma França polarizada, com a esquerda e a direita disputando o espaço entre governos locais e alianças nacionais. A abstenção atingiu patamar recorde, em torno de 43%, sinalizando desinteresse ou cansaço com a política tradicional.
Em Paris, Marselha e Lyon, prefeitos socialistas e ecologistas resistem, mas precisam do apoio de eleitores da França Insubmissa para confirmar no segundo turno. O Partido Conservador Os Republicanos mantém força em cidades médias como Cannes e Antibes.
Redutos da extrema-direita
O Reagrupamento Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen e Jordan Bardella, consolida resultados nacionais em eleições municipais. A legenda lidera em mais de 60 cidades, frente a 11 em 2020, incluindo Perpignan, maior cidade sob seu controle, e Hénin-Beaumont.
No Norte e Sudeste, o RN chega ao segundo turno em Toulon, Nîmes e Nice. A possível vitória em Marselha permanece em análise, com o candidato terminando em segundo lugar. Analistas destacam que o RN pode ganhar impulso com bons desempenhos no segundo turno.
Oficialismo inexistente
O movimento de Macron tem presença local fraca, mas pode haver impulso com Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro, disputando as eleições. Philippe venceu a reeleição em Le Havre, com voto expressivo, abrindo caminho para 2027.
Uma pesquisa Ifop, divulgada em fevereiro, indica Philippe como o melhor candidato do bloco de centro-direita, atrás apenas de Bardella, para a corrida presidencial.
Surpresa da esquerda radical
O Partido de Esquerda Radical (LFI) surpreendeu ao vencer Saint-Denis, liderar a apuração em Roubaix e liderar listas em Toulouse e Limoges. A atuação ocorreu pese a controvérsias sobre vínculos com grupos antifascistas e acusações de antissemismo.
Manuel Bompard, coordenador nacional da LFI, destacou a estratégia de nacionalização da campanha como fator de sucesso, segundo a visão do partido.
Quais alianças?
As alianças para o segundo turno já sinalizam mudanças para 2027. Socialistas rejeitaram acordo nacional com a LFI, mas houve fusões para Toulouse, Nantes e Limoges com o objetivo de conter a direita.
Divergências impediram alianças em Marselha e Paris, onde a direita pode avançar após anos de gestão socialista. A vitória em Paris pode influenciar a dinâmica de apoio entre blocos no pleito presidencial.
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