- Jaled Bani Odeh, 11 anos, e Mustafa Bani Odeh, 8 anos, são os dois únicos sobreviventes do ataque a tiros que atingiu o carro da família palestina em Tammun, Cisjordânia.
- Três adultos e dois menores da mesma família foram mortos: os pais Ali, 37 anos, e Waad, 35, e os irmãos Mohamed, 5, e Otmán, 6, ambos com necessidades especiais.
- As crianças relatam que, após o tiroteio, os soldados humilharam e agrediram Jaled, além de terem feito Mustafa testemunhar ossos mortos, conforme relatos repassados pelo menino.
- O exército israelense afirmou apenas que quatro palestinos morreram após o veículo acelerar em direção aos militares, alegando “ameaça” como justificativa para os disparos.
- Segundo organizações de direitos humanos, há histórico de investigações opacas e baixa responsabilização; a família Bani Odeh se soma aos palestinos mortos em Cisjordânia desde outubro de 2023.
Dois irmãos palestinos sobreviveram à sequência de tiros de militares israelenses que atingiu o carro da família Odeh em Tammun, Cisjordânia, neste domingo. Quatro membros da família morreram: os pais, dois filhos e a família seguia para casa após compras de Ramadã.
Jaled Bani Odeh, 11 anos, e Mustafa Bani Odeh, 8, contaram que o veículo foi alvejado repentinamente pelos militares durante uma patrulha. Eles estavam retornando de Nablus, onde haviam comprado roupas para o Aid al-Fitr, festa que encerra o Ramadã.
Detalhes do incidente
Conforme relatos, havia seis ocupantes no carro: três na frente e três atrás. O ataque ocorreu quando o veículo entrava em Tammun, em uma rua central, após uma compra de roupas ser interrompida pela noite. Em seguida, a família foi atingida por uma chuva de balas, segundo as testemunhas.
Os sobreviventes foram levados ao hospital com ferimentos. Jaled descreve tentativas de resgate e viu o irmão Mohamed morrer sob as mãos de disparos. Mustafa diz ter sido ferido por estilhaços e ter visto os pais e irmãos caídos.
Repercussões e versão oficial
O Exército de Israel confirmou apenas que quatro palestinos morreram após abrir fogo contra um carro em Tammun, alegando que o veículo acelerou em direção aos soldados e que houve uma ameaça. A versão israelense não detalha o que ocorreu antes do tiroteio.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Palestina acusa as forças de impedirem atendimento médico aos feridos. Medidas de socorro teriam sido dificultadas pela presença militar no local.
Contexto regional
Tammun tem cerca de 20 mil habitantes. A família Odeh era composta por Ali, o pai, que trabalha na construção na Israel e volta apenas ocasionalmente. O episódio se soma a uma série de mortes de palestinos em Cisjordânia desde outubro de 2023, em grande parte atribuídas a militares, com casos de violência de colonos registrados também.
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