- A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, discutiu com o secretário-geral da ONU a possibilidade de liberar o transporte de petróleo e gás pelo estreito de Ormuz, replicando o modelo da Iniciativa do Mar Negro.
- Kallas informou ter conversado com Antonio Guterres sobre a viabilidade de uma iniciativa similar à da Iniciativa do Mar Negro para destravar o estreito.
- O estreito de Ormuz está praticamente fechado por causa da guerra entre EUA e Irã, com ataques a navios na região e interrupção de uma quinta parte do fornecimento mundial de petróleo.
- A líder afirmou que o fechamento é perigoso para abastecimento de energia na Ásia e, também, para a produção de fertilizantes, o que pode impactar a alimentação no próximo ano.
- Os ministros vão discutir a possibilidade de ajustar o mandato da missão naval europeia Aspides, que hoje protege navios no Mar Vermelho, para atuar também no estreito de Ormuz, com a necessidade de apoio dos Estados-membros.
Kaja Kallas, chefe da política externa da UE, revelou em Bruxelas que discutiu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a possibilidade de liberar o transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Hormuz, replicando o modelo empregado para a saída de grãos da Ucrânia durante a guerra. A afirmação foi feita ao chegar a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE.
A ideia seria aplicar o mesmo formato de cooperação já utilizado no Mar Negro para destravar o estreito, que permanece bloqueado desde o início das hostilidades envolvendo o Irã. O estreito é uma rota estratégica que facilita parte importante do abastecimento global de energia.
O fechamento é visto como um risco significativo para o fornecimento de energia na Ásia e também para a produção de fertilizantes, com consequências potenciais para o abastecimento alimentar nos próximos meses. Kallas reiterou a necessidade de manter o estreito aberto e avaliou ações possíveis a partir do lado europeu.
Aspides e mudanças de mandato
Durante a reunião, também houve discussão sobre a eventual alteração do mandato da missão naval da UE, Aspides, atualmente centrada no Mar Vermelho e na atuação contra o grupo Houthi. Kallas destacou que os ministros devem manter os interesses europeus na região sob consideração.
O chanceler alemão, Johann Wadephul, expressou ceticismo sobre a utilidade de Aspides na proteção do Estreito de Hormuz. A comitiva europeia reforçou a necessidade de consenso entre os Estados-membros para qualquer iniciativa, ressaltando que a decisão final depende da aprovação interna de cada país.
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