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Rastro das reservas perdidas do BCV: ouro em troca de espaguete

Rastro do ouro venezuelano revela exportações irregulares via Turquia, associadas a Saab, com queda de reservas e tensões diplomáticas

Nicolás Maduro (a la izquierda) y Recep Tayyip Erdogan se saludan en Ankara el 8 de junio de 2022, durante la visita del presidente venezolano a Turquía.
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  • O Banco Central da Venezuela viu suas reservas de ouro caírem de 366 toneladas em 2013 para 53 toneladas no ano passado, enquanto o Arco Minero do Orinoco já rende entre 35 e 80 toneladas por ano.
  • Parte do ouro saiu irregularmente do país, principalmente para a Turquia, Irã, Rússia e Emirados Árabes Unidos, em troca de alimentos; a operação envolve o empresário Alex Saab e redes turcas.
  • Empresas ligadas a Saab, como Mibiturven e Marilyns, e a empresa Mulberry exportaram ouro e importaram alimentos para pagamento, com supostos laços financeiros que envolviam familiares e intermediação de recursos.
  • A rota do ouro para a Turquia ganhou destaque após acordos entre Maduro e Erdogan, com refinarias turcas processando o metal; porém, investigações recentes apontam para operações não registradas e possíveis fluxos ilícitos.
  • A rede de relações e empresas ligadas a Saab tem enfrentado várias detenções e investigações na Turquia desde 2020, incluindo ações contra refinarias e autoridades ligadas ao comércio de ouro, refletindo uma operação complexa de lavagem de dinheiro e evasão de sanções.

A investigação sobre a exportação irregular de recursos minerais venezuelanos aponta o ouro como peça central de uma operação que envolve o Banco Central da Venezuela, o governo de Nicolás Maduro e redes empresaria turcas. Diversas fontes consultadas indicam que parte do ouro foi enviado a Turquia em troca de alimentos, além de ligações com Irã, Rússia e Emiratos.

A rota do ouro começou a se fortalecer a partir de 2016, quando Caracas abriu o Arco Minero do Orinoco à extração de ouro. O metal era processado pela empresa Mibiturven e parte dele supostamente entrava no BCV, mas registros indicam que grande parcela foi traficada para fora do país por vias não oficiais.

Entre os protagonistas, sobem suspeitas contra Alex Saab, apontado como figura-chave na rede de negócios do governo. Saab, detido em Cabo Verde e extraditado aos EUA, teve papel de destaque na coordenação das operações comTurquia, segundo a apuração em andamento.

O que houve, onde e quando

Oito anos de monitoramento apontam que o ouro venezuelano, extraído no Arco Minero, começou a ser exportado de maneira irregular para Turquia, com frequentes voos da Turkish Airlines carregados de ouro além de operações com aviões privados. Em paralelo, houve remessas para Irã, Rússia e Emiratos, conforme documentos e relatos de fontes consultadas pela reportagem.

Quem está envolvido

Ao lado de Saab, aparecem empresários turcos ligados a refinarias e a redes de comércio de metais. Em centros de refinamento na Turquia, como Istambul e Çorum, surgem versões contraditórias sobre o destino final do ouro. Familiares de Saab e administradores de empresas de fachada aparecem em registros mercantis turcos como controladores de estruturas envolvidas no fluxo do metal.

Quando e onde ocorreram os desdobramentos

Entre 2018 e 2021, o fluxo de ouro ganhou fôlego, com exportações para Turquia e outros destinos. A queda nas reservas do BCV, de 366 toneladas para 53, é observada pelo próprio banco, apesar de elevados índices de extração no Arco do Orinoco. Nos últimos anos, investigações turcas e internacionais passaram a concentrar atenções sobre as operações.

Por quê (contexto e motivações)

A degradação das reservas e a pressão internacional resultaram em acordos com Turquia para aquisição de alimentos. A parceria buscava evitar sanções e manter fluxos comerciais, ainda que de modo irregular. Em paralelo, o governo venezuelano visava manter o abastecimento de alimentos para a população, utilizando o ouro como moeda de troca.

A intervenção de autoridades turcas e venezuelanas

Dados indicam que autoridades turcas atuaram para frear atividades ligadas a fraudes envolvendo ouro, com operações de busca e apreensão e detenções de empresários. Em paralelo, o governo venezuelano realizou mudanças administrativas ligadas a figuras associadas ao negócio, como parte de um movimento para saturar o mercado de ouro e alimentos.

A complexidade da rede

A composição das empresas envolvidas revela uma teia que conecta Mibiturven, Mulberry Proje Yatirim e Marilyns, com participação de familiares de Saab. Fileiras de transações apontam que o ouro era refinado no exterior e utilizado para pagar fornecedores de alimentos, gerando uma cadeia de suprimento que misturava comércio e auxílio humanitário.

O papel de Alex Saab

Saab emergiu como figura central na operação, com vínculos a empresas turcas e a redes que atuaram para facilitar o fluxo de ouro e de suprimentos. Ainda que tenha sido preso e extraditado, o histórico de operações indica a presença de uma estratégia de cooperação público-privada com retorno financeiro para o lado privado.

Situação atual

Atualmente, várias peças da rede foram alvo de investigações e detenções em diferentes fases. O cerco internacional dificultou a continuidade de certos elos da operação, levando à suspensão de compromissos e ao redesenho de estruturas vinculadas ao comércio de ouro venezuelano.

Impacto e próximos passos

Especialistas apontam que o caso expõe fragilidades na governança de recursos naturais, bem como a importância de transparência em transações internacionais. As autoridades devem continuar investigando para esclarecer fluxos, destinos finais do ouro e responsabilidades legais de cada parte envolvida.

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