- Tribunal em Londres volta a examinar se Gerry Adams, líder do Sinn Féin, foi membro relevante da organização paramilitar IRA.
- Três sobreviventes de atentados atribuem a Adams posição no Conselho do Ejército do IRA e buscam apenas uma libra esterlina de indenização para reconhecimento histórico.
- A evidência apresentada é indireta: uma foto de 1971 de Adams em funeral do líder do IRA e depoimentos de ex-membros e agentes, sem provas diretas.
- Testemunhos de um ex-investigador da polícia e de um segundo agente do RUC sustentam que Adams era líder do IRA até meados dos anos 2000; o réu nega veementemente.
- Adams não deverá depor ainda nesta semana; o caso pode restringir ainda mais seu espaço de defesa diante das acusações.
Um tribunal de Londres retoma a apuração sobre se Gerry Adams foi membro relevante da IRA, em meio a um processo movido por três vítimas de atentados atribuídos à organização. Adams, líder histórico do Sinn Féin, nega as acusações há décadas.
Os três sobreviventes acionaram Adams buscando uma reparação simbólica de uma libra esterlina, não por ganho financeiro, mas por reconhecimento histórico. O objetivo é confirmar, de forma judicial, vínculos de Adams com o alto escalão do IRA.
O caso ocorre nos Royal Courts of Justice, no coração financeiro de Londres. Adams chegou à frente do tribunal acompanhado por seguranças, vestindo um colete de proteção; dentro, retirou o equipamento sem incidentes.
A acusação depende de evidências indiretas, como uma foto de 1971 em que Adams aparece carregando um féretro numa cerimônia ligada ao IRA. Também existem depoimentos de ex-integrantes, agentes da polícia e outros testemunhos da época.
Testemunhos-chave foram apresentados na sessão, incluindo o de Tim Hanley, ex-detective do Royal Ulster Constabulary, que afirmou ter certeza de que Adams era líder do PIRA até meados dos anos 2000. O depoimento descreveu o IRA como organização com hierarquia sólida.
Outro agente, identificado apenas como Testigo B, relatou que a maior parte da inteligência indicava a participação de Adams no Conselho do Exército do IRA. A defesa questionou a consistência e a quantidade de provas apresentadas contra Adams.
O time de defesa questionou a credibilidade dos depoimentos, perguntando por que Adams não foi detido antes se havia indícios fortes. Os advogados destacaram que as investigações da época tinham limitações e que prisões só eram efetuadas em casos diretos de violência.
Adams, no entanto, não declarou ainda ao tribunal naquele momento, mantendo posição defensiva até uma audiência marcada para a semana em curso. Ao público presente, o ex-líder do Sinn Féin pediu calma e reiterou sua defesa.
A audiência continua para apurar se Adams ocupou posição de comando no IRA ou apenas manteve vínculos próximos a partir de evidências indiretas. O desfecho pode influenciar ainda mais o debate sobre o passado violento na Irlanda do Norte.
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