- Trump pediu à China que adiasse por cerca de um mês a cúpula com Xi Jinping, prevista para 31 de março a 2 de abril, por causa da guerra no Oriente Médio.
- O objetivo original era recompor relações e ampliar a trégua comercial entre EUA e China.
- Em entrevista ao Financial Times, Trump afirmou que a decisão pode depender de a China ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz.
- Delegados dos dois países tiveram conversas econômicas “construtivas” em Paris, consideradas prelúdio da visita.
- A China pediu aos EUA que corrijam práticas comerciais consideradas equivocadas e reiterou oposição a investigações unilaterais sobre trabalho forçado.
Donald Trump pediu à China o adiamento de cerca de um mês da cúpula com Xi Jinping, prevista para o início de abril, devido à guerra no Oriente Médio. A suspensão visava manter o foco dos EUA no conflito, enquanto as negociações bilaterais seguiam em Paris.
O presidente dos Estados Unidos informou aos jornalistas, no Salão Oval, que a visita seria reagendada em função da escalada do conflito com o Irã. Ele reforçou que não há qualquer armadilha por trás do adiamento e que pretende manter uma relação estável com a China.
Trump já havia comentado, em entrevista ao Financial Times, que o atraso poderia depender da China ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, estratégico para o tráfego mundial de petróleo. A decisão, segundo ele, poderia sair apenas com esse apoio.
Progresso nas negociações
Delegados dos EUA e da China disseram, separadamente, ter mantido negociações econômicas e comerciais construtivas em Paris. Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, avaliou as conversas como estáveis e positivas para a relação bilateral.
Li Chenggang, representante de Comércio Internacional da China, afirmou que relações comerciais estáveis beneficiam ambos os países e o mundo, segundo a Xinhua. Pequim acrescentou que discute a visita de Trump sem pressões, mantendo a cooperação.
As negociações, ocorridas no fim de semana, foram vistas como prelúdio para a possível vinda de Trump à China. A China informou manter diálogo com Washington sobre a visita, em meio à pressão de Washington sobre aliados da Otan para ampliar o apoio à reabertura do estreito.
Contexto geopolítico
O porta-voz chinês Lin Jian afirmou que a diplomacia entre chefes de Estado orienta as relações entre China e EUA. Ele não comentou os pedidos de apoio da Otan nem da China para desbloquear o estreito estratégico.
Na última semana, os EUA anunciaram investigações comerciais sobre 60 economias, incluindo a China, sobre suposta capacidade industrial excessiva e trabalho forçado. Pequim condenou as avaliações como equivocadas e unilateralmente motivadas.
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