- Joseph Kent renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional Antiterrorista, com efeito imediato, em protesto contra a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã, que ele afirma não representar ameaça iminente.
- Kent responsabiliza a pressão de Israel e do seu lobby nos EUA pela decisão de iniciar o conflito.
- Em carta ao presidente Donald Trump, Kent afirma manter apoio à política externa de 2016, mas critica a desinformação que moldou a postura do governo.
- A renúncia ocorre durante a ofensiva, já com dezoito dias, com Israel dizendo ter matado Ali Larijani; o Irã continua ações para fechar o estreito de Ormuz.
- Kent afirma ter sido veterano de guerra, ter sido desplegado em onze combates e que perdeu a esposa em guerra “fabricada por Israel”, pedindo que Trump reavalie o rumo da política.
O diretor do Centro Nacional Antiterrorista dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou de forma imediata nesta terça-feira em protesto contra a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã. Kent afirmou que a ação não representava uma ameaça iminente e atribuía a decisão à pressão externa. A demissão ocorre em meio a críticas internas à justificativa de Washington para o ataque.
Kent denunciou que a guerra foi impulsionada pela pressão de Israel e de seu lobby nos EUA. Em redes sociais, ele anexou a carta enviada ao presidente Donald Trump, apontando mudanças na postura do governo desde o início do mandato. A carta reforça que a atual linha de política externa diverge do que defendia antes.
Desde o início da operação em 28 de fevereiro, a Administração Trump tem alegado risco próximo de Irã possuir armas nucleares. Kent sustenta que não houve evidência de ameaça iminente, segundo fontes que acompanharam o caso, o que contrasta com a narrativa oficial.
Kent também descreveu efeitos de desinformação e influências midiáticas na decisão de entrar em conflito, segundo ele. O ex-funcionário ressalta que o lobby israelense influenciou a condução da política externa e sustenta que essa pressão resultou na decisão de atacar.
A renúncia ocorre em meio à continuidade do conflito, que entrou na 18ª jornada sem sinal de encerramento. O governo israelense informou ter realizado bombardeios que teriam culminado na morte de uma figura importante do regime iraniano, enquanto o Irã mantém ações para fechar o estreito de Ormuz.
Além disso, a carta de Kent menciona que a política de intervenção militar em Oriente Médio, sob a liderança de Trump, já esteve sob escrutínio desde 2016. Kent afirma que a mudança de postura do presidente contribuiu para a percepção de que Irã representaria uma ameaça imediata.
Entre as reações, há divergências dentro da gestão. Alguns funcionários defendem a ofensiva e ressaltam sua criticidade estratégica, enquanto Kent aponta para riscos humanos e custos financeiros, além de questionar a eficácia de uma intervenção prolongada.
Entre na conversa da comunidade