- França afirma que não é razoável exigir que o Líbano desmantele o Hezbollah enquanto Israel bombardeia o país; apenas negociações devem encerrar a crise.
- Autoridades libanesas dizem que mais de 900 pessoas foram mortas desde que o Hezbollah entrou na guerra regional.
- Israel rejeita as propostas de diálogo direto com Beirute, enquanto o presidente libanês se mostra disposto a negociações diretas; Hezbollah já recusou o movimento.
- França busca papel de mediador e apresentou propostas aos EUA para encerrar o conflito em três meses, com acordo de não agressão e outras medidas.
- Documento informal visto pela Reuters aponta itens como demarcação da fronteira, retirada de partes de Israel, recuperação econômica e verificação do desarmamento com coalizão da ONU.
O governo francês afirmou nesta quarta-feira que é irracional esperar que o Líbano desmilitarize o Hezbollah enquanto o país sofre ataques aéreos de Israel. A declaração foi feita pelo enviado especial da França para o Líbano, Jean-Yves Le Drian, em entrevista à rádio France Info em Paris.
Segundo o diplomata, apenas negociações são capazes de pôr fim à crise, que já deixou mais de 900 mortos entre civis e combatentes, conforme números das autoridades libanesas. O Hezbollah atua em apoio ao Irã, contribuindo para a escalada regional iniciada após o grupo atacar Israel no começo de março.
Le Drian destacou que Israel ocupou o Líbano por muito tempo e não conseguiu erradicar a capacidade militar do Hezbollah, o que torna inviável exigir que o governo libanês cumpra tal tarefa sob bombardeios contínuos. O governo de Beirut já comunicou abertura a negociações diretas, mas Israel rejeitou a oferta de diálogo direto.
Fronteiras da mediação francesa
A França, com laços históricos no Líbano, tem buscando atuar como mediadora junto aos EUA, que também têm papel ativo no conflito. Há a expectativa de que as partes queiram um caminho de negociação, conforme ressaltou o chanceler francês Jean-Noël Barrot, que deve viajar em breve ao Líbano.
Documentos informais vistos pela Reuters expõem a posição francesa, centrada em um prazo de três meses para encerrar hostilidades e avançar em um pacto abrangente de não agressão entre Líbano e Israel. O plano prevê demarcação da fronteira terrestre, implantação de tropas de uma coalizão autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU para verificar desarmamento, e etapas de retirada e reconstrução.
Desdobramentos diplomáticos
O texto também propõe que as partes declarem o fim do estado de guerra e se comprometam a evitar o uso da força, resolvendo disputas exclusivamente por vias diplomáticas. A credibilidade de Beirut nas negociações voltou a ser questionada após falhas em controle sobre o Hezbollah desde um cessar-fogo de 2024, mediado pelos EUA e pela França.
A França informou que suas propostas foram apresentadas na semana passada como contrapropostas a ideias americanas para pôr fim ao conflito. Diplomatas ouvidos pela agência indicam que Washington mantém diálogo, ainda que com reservas; Israel, por sua vez, rejeitou as propostas.
Próximos passos
O conflito escalou com ataques aéreos em território libanês desde o início de março, após o Hezbollah ter disparado contra Israel. O governo libanês, por meio de autoridades locais, continua buscando vias de negociação e expressou interesse em uma solução que envolva desarmamento gradual, sob supervisão internacional, sem rupturas institucionais.
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