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Solana descreve Ali Larijani como negociador duro do programa nuclear racional

Solana relembra Ali Lariyaní, negociador iraniano duro, cuja atuação ajudou a viabilizar o acordo nuclear de dois mil e quinze; Lariyaní morreu em ataque israelense

El entonces principal negociador nuclear de Irán, Ali Lariyaní (derecha), y el que era jefe de la diplomacia europea, Javier Solana, se daban la mano a su llegada a Berlín para las conversaciones sobre el programa nuclear iraní, el 27 de septiembre de 2006.
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  • Javier Solana, ex-alto representante da União Europeia, manteve contato com Ali Lariyaní, chefe do aparato de segurança iraniano, ao longo de várias reuniões entre 2003 e 2007.
  • Solana o descreve como alguém muito sério, duro, porém racional, com uma faceta culta e familiar, segundo memórias do ex-diplomata espanhol.
  • Lariyaní foi figura-chave nas negociações do programa nuclear iraniano, abrindo caminho para o acordo de 2015; ele deixou o cargo em 2007 após divergências com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
  • O regime iraniano foi responsabilizado por repressão às protestos internos, com estimativas de mortes variando entre três mil e trinta mil; Lariyaní chefiava o aparato de segurança à época.
  • Lariyaní morreu em ataque de Israel na semana passada, aos 67 anos; Solana afirma que o ex-negociador foi substituído por Saeed Jalili e comenta a influência de pressões israelenses na condução das negociações.

Javier Solana recorda Ali Lariyaní como negociador duro, mas racional, em décadas de relação próxima entre a União Europeia e o regime iraniano. O ex-chefe da diplomacia europeia, hoje com 83 anos, relembra encontros de 2003 a 2007, quando ainda tratava do programa nuclear do Irã.

Solana, que atuou como Alto Representante da UE para a Política Exterior entre 1999 e 2009, descreve Lariyaní como alguém sofisticado, com uma formação familiar influente. Os dois se reuniram cerca de uma dezena de vezes, em cidades como Roma, Madrid, Istambul e Teerã, sempre em tom decidido.

O político iraniano foi figura-chave no desenvolvimento do acordo nuclear que acabou consolidado em 2015, durante a gestão de outros interlocutores internacionais. Em 2007, porém, a disputa com o então presidente Mahmoud Ahmadineyad levou à saída de Lariyaní da posição de negociador-chefe.

Solana relembra que as negociações entre eles eram realizadas de forma direta, muitas vezes sem tradutores, e que as diferenças com o governo iraniano moldaram a trajetória dos acordos. O ex-chanceler destaca episódios em que o diálogo entre as partes foi decisivo para manter o canal aberto.

Ali Lariyaní morreu nesta semana em decorrência de um ataque atribuído às forças israelenses. O ex-negociador tinha 67 anos e deixava de ocupar cargo de alto escalão no aparato de segurança iraniano, segundo informações veiculadas pela imprensa internacional.

Trajetória e legado

A relação entre Solana e Lariyaní abriu caminhos para negociações futuras e influenciou decisões ocidentais sobre o Irã. O ex-diplomata recorda ainda que, ao longo das conversas, o interlocutor iraniano mostrava interesse pela esfera cultural de seu país, o que contrastava com a imagem de um líder rígido.

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