- A União Europeia se posiciona a favor do multilateralismo em meio à instabilidade internacional e ao aumento dos preços de energia, agravados pela crise no estreito de Ormuz.
- Os 27 países discutem em Bruxelas formas de conter a alta nos custos de energia e tentar convencer a Hungria a aprovar um empréstimo multimilionário para sustentar a Ucrânia.
- A cúpula prioriza medidas para a competitividade europeia, mas o tema do multilateralismo volta a guiar a agenda diante das ações de Estados Unidos e China.
- A Comissão Europeia sinaliza flexibilizar parcialmente o regime de direito de emissões, mas pretende manter o objetivo de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, com foco em energia renovável.
- Os líderes devem ainda receber o secretário-geral da ONU, António Guterres, em um sinal de apoio ao Estado de direito e ao multilateralismo, conforme o rascunho das conclusões da reunião.
A União Europeia prepara-se para manter o eixo multilateral em meio a tensões globais, rejeitando pressões de Washington por envolvimento direto no conflito entre EUA, Israel e Irã. Em Bruxelas, os 27 discutem maneiras de conter o aumento recente nos preços da energia, impulsionado pelo estágio atual da guerra no Oriente Médio. A prioridade é reduzir a dependência de combustíveis fósseis e preservar o mercado aberto.
Líderes europeus transmitiram, durante a reunião, a necessidade de responsabilidade internacional e de respeito às normas que orientam o direito internacional. A cúpula busca também caminhos para pressionar a Hungria a aprovar um empréstimo multibilionário para sustentar a Ucrânia diante da ofensiva russa. O encontro ocorre em meio a decisões sobre tributação de energia e fluxos industriais.
Contexto econômico e energético
Os debates apontam para medidas de curto prazo voltadas à redução da carga tributária sobre a geração elétrica. A Comissão Europeia sinaliza que a crise energética não é idêntica à de 2022, destacando uma oferta de gás mais estável, embora os preços permaneçam elevados. A ênfase está na diversificação energética com foco em renováveis.
Alguns governos defendem flexibilizar o sistema de comércio de emissões de carbono, enquanto outros pedem maior alívio fiscal para indústrias intensivas. O comissário de Energia, Dan Jorgensen, afirmou que ajustes nos impostos energéticos podem ocorrer rapidamente, desde que haja vontade política em cada Estado-membro.
Posicionamento externo e ONU
A UE pretende fortalecer o multilateralismo, mesmo diante de críticas internas sobre o tom mais moderado de algumas declarações. O texto em fase de elaboração sinaliza compromisso com a Carta das Nações Unidas, soberania e integridade territorial, sem mencionar explicitamente EUA ou Israel nas conclusões finais.
O encontro também prevê um almoço de trabalho com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para reforçar o apoio ao Estado de Direito e ao multilateralismo. Embora haja divergências entre as capitais, o bloco busca mensagem única em defesa de normas internacionais e resolução pacífica de conflitos.
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