- O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, disse que as Forças Armadas não estão ensaiando uma invasão de Cuba nem se preparando para tomar a ilha militarmente.
- O Exército americano afirma estar pronto para defender a embaixada dos EUA, a base de Guantánamo e apoiar esforços para conter migração em massa, se necessário.
- Donovan fez a declaração durante uma audiência no Senado sobre o uso militar dos EUA na América Latina pelo governo do presidente Donald Trump.
- Trump tem adotado medidas duras contra Cuba, mas as ações atuais parecem orientar-se a alavancas econômicas, enquanto Cuba enfrenta cortes de energia e dificuldades generalizadas.
- Em meio a diálogos entre os dois países, Donovan destacou que Guantánamo sofreu danos de tempestade e precisa de investimento, e que a gestão de migração ficaria a cargo do Departamento de Segurança Interna.
O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, afirmou ao Senado que as forças americanas não estão ensaiando uma invasão de Cuba nem se preparando para ocupá-la militarmente. Segundo ele, o país está pronto para responder a ameaças à embaixada, defender a base de Guantánamo e apoiar ações contra migração em massa, se necessário. O depoimento ocorreu nesta quinta-feira.
Donovan também disse que o Comando Sul não tem registro de qualquer comando militar dos EUA planejando tomar Cuba. A resposta americana, afirmou, fica restrita a medidas de contenção e defesa, com foco na segurança de autoridades e instalações americanas na ilha.
O tema surgiu em meio a um debate no Senado sobre o uso cada vez mais firme da força militar na América Latina, em um contexto de postura mais assertiva da administração Trump. O governo tem intensificado operações contra o tráfico na região, com parcerias com governos locais.
Contexto político e econômico
Donovan relatou que, apesar do foco em Cuba, a gestão de políticas de migração e segurança é liderada pela Patrulha de Fronteira, ligada ao Departamento de Segurança Interna. A Defesa continua vigilante frente a possíveis fluxos migratórios decorrentes de crises regionais.
O militar ressaltou ainda que Guantánamo sofreu danos por tempestades e requer investimentos. Em dispositivos de infraestrutura, a base opera com apenas um píer funcional para abastecimento, segundo ele, destacando a relevância estratégica da instalação no Caribe.
Além disso, Donovan destacou que áreas caribenhas sob controle dos EUA também sofreram com a subinvestimento ao longo de cerca de duas décadas, período em que o foco militar esteve concentrado em grupos extremistas.
Perspectiva regional
O general citou que, em caso de ameaça à embaixada ou à base de Gitmo, as tropas americanas seriam acionadas para defender vidas de cidadãos dos EUA. As afirmações ocorrem em meio a conversas entre Cuba e EUA para melhorar relações, as quais se encontram entre as mais tensas dos 67 anos desde a revolução cubana.
O depoimento traz o pano de fundo de uma estratégia que combina pressão econômica sobre Cuba — como interrupção de suprimentos energéticos — com ações de dissuasão e cooperação regional, sem confirmar planos de intervenção militar de grande escala.
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