- Exilados iranianos na Europa acompanham a waras consequências: entre a esperança de derrubar a ditadura islâmica e a preocupação com o avanço da guerra.
- Ataques dos EUA e de Israel, iniciados em 28 de fevereiro, teriam enfraquecido a oposição no Irã, fortalecendo a Guarda Revolucionária, segundo relatos de ativistas na diáspora.
- O conflito já deixou mais de dois mil mortos em três semanas, a maior parte no Irã; ONGs apontam estimativas entre quatro mil e seis mil mortos documentados, com dezenas de milhares ainda em investigação.
- Histórias de ativistas destacam o ensino de mulheres e movimentos pró-democracia, bem como o trauma do exílio para quem deixou o Irã há anos.
- Famílias no exílio veem a violência como possível fio para mudanças, mas ressaltam que desejam respeito aos direitos humanos e, se possível, o fim da ditadura, sem que isso signifique repetição de regimes.
Hamid Hosseini, iraniano de 74 anos exilado na Espanha há 43 anos, lembra o dia em que acreditou que o regime iria cair. A prisão e tortura vividas no passado o aproximaram da esperança de uma democracia laica, ainda que tenha visto a Revolução teocrática tomar forma.
Nos últimos anos, movimentos pró-democracia na diáspora alimentaram o otimismo. Estudantes e mulheres ganharam protagonismo nas ruas, mas a escalada da violência mudou o cenário. Para Hosseini, as bombas não trazem democracia.
Os ataques liderados pelos EUA e por Israel, iniciados em 28 de fevereiro, atenuaram a oposição interna ao regime. Alega que a pressão externa fortalece a Guarda Revolucionária e diminui a capacidade de protesto dentro do Irã.
Desdobramentos entre a diáspora
Entre figuras como Jeiran Moghadam, professora em Alemanha, cresce a leitura de que a violência externa pode intensificar conflitos internos. Moghadam aponta que o regime responde com brutalidade, enquanto alguns muros de resistência parecem ganhar força com o desfecho de lideranças.
Moghadam pasou a entender que a violência não gerou resposta unificada entre os opositores. A pesquisa aponta que o movimento feminino Mulher, Vida e Liberdade manteve relevância, mesmo com a repressão ao interior do país. A exilada destaca que o governo iraniano é visto como maior ameaça aos direitos humanos.
A narrativa de Hamid Hosseini encontra apoio em relatos de que a derrota de líderes fora do país não derruba o regime. A diáspora vê diferentes trajetórias, com alguns defendendo que mudanças podem surgir apenas com pressão contínua e ações coordenadas dentro e fora do Irã.
Histórias entrelaçadas de resistência
Babak Khatti, pediatra de 49 anos, exilado, atuava junto a redes de médicos que atendiam pacientes em domicílio para evitar detenções. Seu eixo de vida público contrasta com o desejo de retornar e exercer a profissão de forma descomplicada.
Rezgar Beigzadeh Babamiri, agricultor kurdo de 48 anos, foi condenado à morte após atuar nos corredores de clínicas clandestinas. Sua filha Zhino Babamiri, de Oslo, lidera a campanha internacional pela sua libertação e coordena a iniciativa Daughters of Justice.
Zhino carrega a percepção de que a pressão internacional foi crucial para a anulação da execução. Hoje, acompanha o caso do pai em revisão, enquanto ajuda outras famílias na mesma situação e defende que direitos humanos devem prevalecer.
Contexto humano
Zhino comenta a distância entre vida no Irã e na Europa: a saudade de família, de comida e da paisagem. Hosseini descreve a região em que nasceu como parte de sua identidade, ainda que viva rodeado de apoio na Espanha.
Babak recorda as memórias de Irã, como teatros e ruas cheias de vida. Embora deseje retornar e continuar a carreira médica, reconhece que o ativismo político tornou-se parte de sua rotina, não uma escolha simples.
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