A Coreia do Norte voltou a sinalizar que não há espaço para negociação sobre seu arsenal nuclear. Em discurso no Parlamento, em Pyongyang, o líder Kim Jong-un afirmou que o status do país como potência nuclear seguirá um “caminho irreversível”, e deve ser aprofundado nos próximos anos. A declaração foi divulgada pela mídia estatal nesta […]
A Coreia do Norte voltou a sinalizar que não há espaço para negociação sobre seu arsenal nuclear. Em discurso no Parlamento, em Pyongyang, o líder Kim Jong-un afirmou que o status do país como potência nuclear seguirá um “caminho irreversível”, e deve ser aprofundado nos próximos anos.
A declaração foi divulgada pela mídia estatal nesta segunda-feira (23) e deixa claro que o regime pretende continuar a investir em armamento nuclear.
“Seguiremos consolidando firmemente nosso status como Estado nuclear”, disse.
Ditador classificou Coreia do Sul de Estado mais hostil
O tom também foi de confronto ao tratar da Coreia do Sul. Kim classificou o país vizinho como “o Estado mais hostil” e afirmou que qualquer ação considerada provocação poderá ser respondida com um “preço implacável”, elevando o nível de tensão na península coreana.
As falas ocorreram durante a apresentação de um plano econômico de cinco anos, que, segundo o regime, será executado em paralelo ao fortalecimento do programa nuclear. A proposta combina expansão da capacidade militar com medidas voltadas à economia e às condições de vida da população, dois eixos que o governo ditatorial tenta conciliar há anos.
Mais de 15% dos investimentos serão direcionados à defesa
Os números do orçamento ajudam a dimensionar essa prioridade. Para 2026, 15,8% dos gastos do Estado serão destinados à defesa, com parte relevante voltada ao avanço do programa nuclear, descrito pelo governo como essencial para a autodefesa.
No campo político, o Parlamento aprovou alterações constitucionais durante a sessão. Também foi lida uma mensagem do presidente russo Vladimir Putin, que indicou a intenção de aprofundar a cooperação estratégica entre Moscou e Pyongyang, capital da Coreia do Norte.
O discurso reforça uma linha já consolidada pelo regime: a de que o arsenal nuclear não é instrumento de barganha, mas elemento central de sua sobrevivência política e militar.
Fim de acordo amplia incerteza nuclear global
O contexto internacional reforça essa tendência. O término do tratado New START, que limitava os arsenais de Estados Unidos e Rússia, removeu o principal mecanismo de contenção entre as duas maiores potências nucleares do mundo.
Juntos, os dois países concentram cerca de 90% das ogivas globais. Sem o acordo, especialistas apontam para um ambiente mais instável, com maior risco de expansão dos arsenais e de novos países buscarem capacidade nuclear.
Além de Washington e Moscou, ao menos outras sete nações possuem armas nucleares, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri).
Para analistas, o fim do New START representa a retirada do último grande freio institucional à corrida armamentista, um cenário que tende a pressionar ainda mais o equilíbrio estratégico global.
Saiba o que foi o New Star e o que seu fim significa
O tratado New START foi o principal acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia nas últimas décadas. Ele expirou sem substituição, eliminando o último freio formal à expansão dos arsenais das duas maiores potências, que concentram cerca de 90% das ogivas globais. Em vigor desde 2010 e renovado pela última vez em 2021, o acordo combinava limites e mecanismos de transparência para reduzir riscos de escalada.
Na prática, ele previa:
- teto de até 1.550 ogivas nucleares estratégicas por país;
- limites para mísseis e bombardeiros;
- inspeções e troca de dados para garantir transparência.
O fim do tratado significa que:
- deixam de existir limites legais para expansão dos arsenais;
- a transparência diminui, com menos inspeções;
- cresce a desconfiança entre potências;
- aumenta o risco de uma nova corrida armamentista global.
Com menos mecanismos de controle e mais desconfiança entre potências, o cenário internacional caminha para um equilíbrio cada vez mais frágil.
Nesse contexto, decisões como a da Coreia do Norte deixam de ser exceção e passam a sinalizar uma tendência global de rearmamento.
Entre na conversa da comunidade