- Pesquisa da Euroconsumers com quase 10 mil pessoas em ten países mostra que a maioria ainda vê a UE como potência global, mas com limites.
- 63% encaram a UE como força econômica líder e 60% como ator político influente; apenas 36% consideram o bloco uma hard power credível.
- Em crises específicas, 42% veem liderança forte na Ucrânia, enquanto 41% apontam falha na Gaza; dois terços dizem que divergências entre Estados-m membros minam a influência internacional.
- Relação transatlântica começa a esfriar: 28% confiam nos EUA a longo prazo; metade defende novas parcerias fora dos Estados Unidos, 51% querem ampliar comércio com economias da Ásia.
- A preocupação com tarifas e dependência externa aumenta: 70% apoiam contramedidas da UE a tarifas dos EUA; 80% apoiam investir em tecnologia europeia e ampliar defesa e diversificação de parcerias comerciais.
A União Europeia é vista por muitos europeus como atuante no cenário global, mas a confiança em sua influência começa a recuar diante de instabilidade geopolítica. Dados de uma pesquisa destacam perceções variadas sobre poder econômico, político e militar.
A sondagem, realizada pela Euroconsumers, ouviu quase 10 mil pessoas em 10 países. Belgium, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Polônia, Portugal e Espanha participaram do levantamento.
A UE é reconhecida como força econômica, com cerca de 63% dos respondentes considerando-a líder no assunto. Já na esfera política, 60% a veem como ator influente. No entanto, apenas 36% a classificam como uma potência militar crível.
Liderança em crises e coesão interna
Sobre crises específicas, 42% avaliam que a UE demonstrou liderança forte na Ucrânia, enquanto 41% discordam em relação a Gaza. Disparidades internas aparecem como obstáculo, com dois terços enxergando divergências entre Estados-membros que reduzem o peso global da UE.
Relação transatlântica e novas parcerias
A confiança no relacionamento com os Estados Unidos vem em queda. Apenas 28% acreditam que Washington continuará sendo um parceiro confiável no médio prazo. Países como Dinamarca, Alemanha, Portugal, Irlanda, Bélgica e Espanha registram ceticismo relevante sobre a durabilidade da aliança.
Metade dos entrevistados defende que a UE busque novos parceiros além dos EUA. Cerca de 51% apoiam ampliar relações comerciais com economias asiáticas, como Japão e Coreia do Sul, enquanto 37% valorizam maior alinhamento econômico com a China. Medidas de resposta a tarifas americanas contam com apoio de 70%.
Mudanças no consumo e avaliação de políticas
Ao considerar políticas comerciais, há apoio a contramedidas da UE frente a tarifas dos EUA. Sobre a gestão de políticas de Donald Trump, 38% desaprovam a resposta da UE, 34% aprovam. No comportamento do consumidor, 44% reduziram compras de produtos americanos, chegando a 55% entre os dinamarqueses.
Autonomia europeia e prioridades futuras
Quase 80% dos entrevistados defendem maior investimento europeu em tecnologia para reduzir dependência de potências externas. Também há apoio à fortificação de defesas e à diversificação de parcerias comerciais. Contudo, as expectativas permanecem contidas, principalmente por receios sobre impactos econômicos às famílias diante do custo de vida.
O levantamento aponta uma UE mais autônoma permanecendo desejada, mas com o desafio de conciliar poder, defesa e economia em contextos de tensão global. As respostas refletem avaliações heterogêneas sobre o caminho a seguir.
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