- Estudo do Yale Humanitarian Research Lab diz que Gazprom e Rosneft, empresas estatais russas, financiaram e facilitaram o transporte e a reeducação de crianças ucranianas deportadas pela Rússia entre 2022 e 2025, totalizando cerca de 2.158 crianças.
- O relatório aponta que subsidiárias dessas companhias desenvolveram acampamentos, vouchers e coordenação de doutrinação pró-Rússia na Rússia e em territórios ocupados.
- Segundo o estudo, Gazprom e Rosneft já patrocinavam camps desde 2008 e passaram a incluir crianças ucranianas desde a primeira invasão, em 2014.
- Os pesquisadores destacam que 80% das entidades envolvidas no transporte e na doutrinação não estavam sancionadas pelo governo dos Estados Unidos nem pela União Europeia.
- A Ucrânia confirmou a deportação de mais de 19.500 crianças; a Yale estima que o número real possa chegar a 35.000.
Foram identificadas ligações diretas entre as empresas de energia Gazprom e Rosneft e a deportação de crianças ucranianas, segundo um relatório do Yale Humanitarian Research Lab (HRL) divulgado nesta semana. O estudo aponta envolvimento na facilitação do transporte e na reeducação de menores deportados pela Rússia.
Segundo a pesquisa, as duas companhias estatais russas, incluindo suas subsidiárias, financiaram ou facilitaram o deslocamento e a reeducação de cerca de 2.158 crianças da Ucrânia ocupada pela Rússia entre 2022 e 2025. O HRL afirma que este é o primeiro levantamento público a mostrar participação essencial das empresas nesse contexto.
A equipe do Yale HRL ressalta que o tema ganha relevância diante de decisão dos EUA, anunciada em 12 de março, que relaxou sanções para permitir compras de petróleo russo já carregado em navios, com exceção de alguns casos. O estudo aponta que essa liberalização abrangeria óleo bruto e derivados de Gazprom e Rosneft.
Implicação das empresas
O relatório identifica ao menos seis acampamentos na Rússia e em territórios ocupados onde crianças ucranianas foram levadas, incluindo instalações de subsidiárias de Gazprom e Rosneft. As empresas teriam apoiado o transporte e a reeducação por meio da posse de acampamentos, emissão de vouchers e coordenação de atividades pró-Rússia.
A análise indica que Gazprom e Rosneft já financiavam participação de crianças em acampamentos desde 2008 e passaram a incluir crianças da Ucrânia a partir de 2014, após a primeira invasão. Parte das crianças foi levada a acampamentos com consentimento dos pais, mas outras chegaram sem autorização.
Pesquisadores destacam que a campanha sistemática de deportação, doutrinação e, em alguns casos, adoção de crianças resulta de uma rede complexa de órgãos públicos e organizações não-governamentais, com funcionamento coordenado. O estudo afirma que as duas empresas são cúmplices nesse esquema.
Embora Gazprom e Rosneft estejam sob sanções dos EUA e da UE, suas subsidiárias não o estariam. O HRL verificou que parte relevante das entidades envolvidas não recebeu sanções, o que amplia o espaço de atuação segundo o levantamento.
O levantamento também aponta que a Ucrânia registrou a deportação de mais de 19,5 mil crianças desde o início da ofensiva ampla da Rússia. As informações detalhadas incluem residência na Ucrânia e localização na Rússia, com estimativas sugerindo um número maior, próximo de 35 mil, segundo o HRL.
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