- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia usou uma campanha de 2021 da Energiebank para zombar a Europa, dizendo que a União Europeia “vai se ajustar” a sanções, com base em sugestões de reduzir o tempo no banho.
- A campanha, porém, é anterior ao conflito no Oriente Médio e foi criada para combater a pobreza energética na Holanda, não para responder a guerras ou crises geopolíticas.
- Europeus vêm buscando reduzir dependência de combustíveis fósseis russos e aumentar importações de países como Estados Unidos e Noruega, além de ampliar o uso de energias renováveis.
- A crise no estreito de Hormuz, via principal para LNG, elevou o preço do petróleo e do gás e interrompeu rotas de abastecimento, impactando mercados globais.
- Na UE, medidas atuais incluem maior armazenamento de gás, expansão de capacidade de importação de LNG e investimentos em redes elétricas e renováveis, para reduzir vulnerabilidade a geopolitica.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou a União Europeia por supostamente se autossabotar ao resistir ao retorno prudente de energia russa. A declaração foi feita em uma postagem no Telegram, que já acumula dezenas de milhares de visualizações. A Rússia relacionou a fala a uma suposta prática europeia de se adaptar às sanções.
Zakharova afirmou que a UE estaria preparando o que chamou de “vigésimo pacote de sanções” contra Moscou, baseando-se em uma campanha holandesa de 2021. Segundo ela, uma grande empresa holandesa de energia sugeriu reduzir a duração dos banhos como medida de economia. A mensagem, no entanto, é antiga e não tem relação direta com o conflito regional atual.
Contexto da campanha de 2021
A campanha holandesa foi criada pela Energiebank para combater a pobreza energética na Holanda. Entre as sugestões estavam reduzir o tempo de banho, baixar o aquecimento em 1 grau e secar roupas sem máquina. A iniciativa contou com estudo da Hogeschool van Amsterdam de 2021 e visava reduzir encargos para famílias com alta parcela de renda destinada à energia.
Panorama europeu diante de choques de preço
Apesar de a alegação de Zakharova ser incorreta, a UE monitora impactos de curto prazo. O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz afeta rotas de petróleo e gás, elevando preços e dificultando o abastecimento. Aproximadamente 8,7% das importações de LNG da UE passam pela região, tornando o bloco sensível a interrupções.
Para mitigar riscos, a UE reforça estoques de gás, amplia a capacidade de importação de LNG e diversifica fornecedores, incluindo EUA e Noruega. Em 2024, a energia de fontes renováveis respondeu por 25,4% do consumo da UE, frente a 24,5% em 2023.
Medidas de resiliência e transição energética
Paralelamente, a UE investe em conectividade entre redes elétricas nacionais e em fluxos transfronteiriços de energia. As ações visam aumentar a resiliência diante de geopolítica volátil e reduzir a dependência de combustíveis fósseis externos. O planejamento aponta para maior participação de renováveis na matriz energética.
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