- No Ruanda, as mulheres correspondem a quase 90% dos agricultores, enfrentando impactos profundos das mudanças climáticas nas lavouras e no manejo de terras.
- A carga de trabalho feminino aumenta, com elas sendo responsáveis por buscar lenha, água e conduzir grande parte das atividades agrícolas, diante de crises climáticas.
- A representante Mugoboka, que trabalha com a Trocaire, visitou fazendas na Irlanda do Norte e no Ruanda, destacando uma experiência compartilhada de extremos climáticos.
- Na Irlanda do Norte, agricultores relatam ferocemente eventos mais extremos nos últimos dez anos, incluindo impactos na criação de ovelhas e no manejo de doenças como o bluetongue, que chegou à região em novembro.
- África emite cerca de 4% dos gases de efeito estufa, porém enfrenta os impactos sem recursos suficientes para adaptação e mitigação, segundo as agricultoras entrevistadas.
O calor extremo e as inundações recentes aceleraram mudanças no campo. Em Ruanda, mulheres representam quase 90% dos agricultores, segundo a ONG Trocaire, e enfrentam uma carga maior com a crise climática. A seca e as cheias afetam plantações, água e lenha.
Mugoboka, que trabalha com agricultores ruandeses para promover práticas sustentáveis, visitou fazendas na Irlanda do Norte e na própria Irlanda, buscando entender impactos parecidos entre continentes. Ela afirma que a mudança climática intensifica o trabalho das mulheres nas lavouras.
A experiência compartilhada
Em Shanaghan Hill, perto de Katesbridge, no rio Bann, a agricultora irlandesa Skelly vive há 44 anos. Ela relata eventos climáticos extremos mais frequentes e a necessidade de adaptar técnicas para proteger rebanhos e plantações.
Mugoboka disse ter ficado surpresa ao saber que áreas da Irlanda também sofrem com inundações. Ela destaca que, apesar de África emitir apenas 4% dos gases de efeito estufa, o continente enfrenta os maiores impactos por falta de recursos para adaptação.
O estudo comparativo envolve doenças que acompanham o clima. Mugoboka cita surtos repentinos entre lavradores, enquanto Skelly avalia vacinação de ovelhas contra o vírus da lingua roxa, já registrado na Irlanda no fim de 2023.
Skelly mostra uma prática de proteção ambiental: plantio de árvores para reduzir inundações e oferecer sombra aos animais. A iniciativa inclui árvores nativas, arbustos e abrigos para a fauna local, integrados a dispositivos de monitoramento.
A pesquisadora ruandesa descreve a experiência como transformadora. Em ambas as regiões, mães agricultoras mantêm a esperança de um futuro na atividade familiar. Skelly reforça a impressão de que a indústria tem perspectivas promissoras.
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