- Procuradores suecos pedem penas longas de prisão para dois ex-executivos de petróleo acusados de crimes de guerra por suas atividades no Sudão durante o conflito civil, entre 1999 e 2003.
- Ian Lundin, então CEO da Lundin Oil (agora Orron Energy), e o suíço Alex Schneiter, na época vice-presidente, são acusados de pedir ao governo sudanês para que o militares responsáveis pela segurança no campo de exploração.
- A promotoria afirma que isso favoreceu bombardeios aéreos, assassinatos de civis e queima de vilarejos, com a participação de forças militares e milícias aliadas.
- O Ministério Público pediu dez anos de prisão para Lundin e seis anos para Schneiter, além de manter ambos sob custódia ao fim do julgamento por risco de fuga.
- O julgamento iniciou em setembro de 2023; a defesa nega as acusações. A corte deve encerrar as alegações na previsão de maio, sem data definida para a sentença.
O Ministério Público sueco pediu penas longas para dois ex-diretores de uma empresa de petróleo acusados de crimes de guerra relacionados a negócios no Sudão. O caso envolve Ian Lundin, sueco, e Alex Schneiter, suíço. O julgamento começou em setembro de 2023, na corte distrital de Estocolmo.
Lundin foi CEO da Lundin Oil entre 1998 e 2002; a empresa hoje opera como Orron Energy. Schneiter era vice-presidente no período. Ambos negam as acusações, alegando que não houve relação entre a empresa e o governo sudanês.
O promotor afirmou que houve envolvimento prolongado e cumplicidade em crimes contra civis, com consequências graves para muitas pessoas. O processo resultou de uma investigação de mais de uma década e um relatório de mais de 80 mil páginas.
Segundo a acusação, após a descoberta de petróleo em 1999 no Bloco 5A, no que hoje é o Sudão do Sul, o Exército sudanês, com milícia aliada, conduziu operações para tomar o controle da área e viabilizar a exploração. A defesa sustenta que não houve acordo para uso de força.
A promotoria sustenta que Lundin Oil firmou contratos com o governo sudanês para que as forças militares assegurassem a segurança, sabendo que isso exigiria ações de força para dominar a região. Relatos apontam bombardimentos aéreos, civis atingidos por helicópteros, sequestros, saques e destruição de plantações.
A audiência deve encerrar em maio, mas ainda não há data marcada para o veredito. Os procuradores solicitaram a detenção dos executivos ao fim do julgamento, alegando risco de fuga.
Desdobramentos do caso
- Provas apontam ligações entre decisões corporativas e ações militares no local da exploração.
- Ambos os réus permanecem sob defesa que sustenta inexistência de vínculo entre empresa e governo.
- O Ministério Público descreve impactos humanitários extensos decorrentes das operações no período 1999-2003.
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