- Maria Kalesnikava, 43 anos, foi libertada em dezembro de 2025 após ficar mais de cinco anos presa por seu papel nas protestos de 2020 contra o presidente Alexander Lukashenka, e recebeu o Prêmio Charlemagne em Berlim em 14 de março.
- Ela alertou que Belarus pode perder soberania com o aumento da influência russa, destacou que sanções ocidentais aproximaram Minsk de Moscou e que Putin se beneficia da falta de contato de Belaruss com a UE.
- Kalesnikava pediu que a UE dialogue com Lukashenka para influenciar Belarus, afirmando que falar não é aceitar, mas representar os interesses europeus.
- Em dezembro de 2025, Rússia e Belarus realizaram exercício militar com 12 mil soldados na fronteira com a Polônia, e Moscou supostamente deslocou mísseis com capacidade nuclear para Belarus.
- A ativista lembrou que mais de 1.200 prisioneiros políticos continuam presos, e relembrou o episódio em que rasgou o passaporte em 2020 para evitar deportação.
Maria Kalesnikava, ativista da oposição bielorrussa, foi libertada em 13 de dezembro de 2025, após mais de cinco anos na prisão. Em Berlim, ela recebeu o Prêmio Charlemagne em 14 de março, no ano em que retornou ao formato presencial, dois meses antes de falar sobre o futuro do país.
Em entrevista à Euronews, a ativista alertou para o aumento da influência russa em Bielorrússia. Ela afirma que sanções ocidentais aproximaram Minsk de Moscou e que a relação estreita com Putin pode comprometer a soberania bielorrussa.
Contexto político
O presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, é próximo a Putin. Autoridades russas usaram território bielorrusso para a invasão da Ucrânia iniciada em 2022, com Minsk não participando ativamente no conflito.
Em dezembro de 2025, Moscou e Minsk realizaram um exercício com 12 mil soldados na fronteira com a Polônia, elevando temores de recrutamento mobilizado e de envio de mísseis com capacidade nuclear para Bielorrússia.
As consequências da repressão
Em 2020, Kalesnikava, Sviatlana Tsikhanouskaya e Veronika Tsepkalo lideraram as manifestações contra Lukashenko. O pleito de agosto daquele ano foi visto como fraudulento por muitos, gerando prisões em massa e violência.
Kalesnikava foi detida em setembro de 2020 e condenada a 11 anos por suposta conspiração para tomar o poder. A ativista não recua de suas posições mesmo diante da prisão.
Liberdade condicionada e perspectivas
A libertação veio após acordo mediado pelos EUA, envolvendo a libertação de 123 prisioneiros políticos em troca de facilitação de sanções ao setor de potássio. Mais de 1.200 detidos permanecem sob condições duras, segundo a organização Viasna.
Kalesnikava ressaltou a importância do diálogo para avanços democráticos. Ela destacou que, para manter o espaço cívico, é necessário manter canais de comunicação com Lukashenka, sem sinalizar aceitação.
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