- Pesquisa da Endeavor com 101 scale-ups brasileiras mostra que 71% já iniciaram ou se preparam para expandir internacionalmente.
- Entre startups fundadas entre 2020 e 2024, quase metade planeja essa expansão no curto ou médio prazo.
- O Ebanx processou mais de 1,3 bilhão de transações em 2025, com 65% do lucro bruto vindo do exterior e 20% de fora da América Latina.
- Os Estados Unidos aparecem como destino inicial para 63% das startups que já expandiram; América Latina (60%) e Europa (49%) também aparecem.
- A entrada em novos mercados nem sempre começa por escritório: 51% abriram escritórios, 43% iniciaram com vendas internacionais; 44% dos líderes se mudaram ou planejam se mudar.
Sem medo de ser global: nova geração de startups do Brasil acelera internacionalização
Uma pesquisa inédita da Endeavor aponta uma mudança expressiva no ecossistema de startups brasileiro. Enquanto antes o ritmo era centrado no mercado doméstico, agora há uma tendência de expansão para outros países.
Segundo o estudo, 71% dos empreendedores das startups e scale-ups fundadas entre 2020 e 2024 já iniciaram ou se preparam para atuar no exterior. O recorte agrega 101 scale-ups consultadas e 20 entrevistas com gestores e investidores.
Rumo aos mercados internacionais
Entre as empresas que já expandem, Estados Unidos ocupa a primeira posição, atraindo 63% das startups. A Califórnia aparece como principal porta de entrada, seguida pela América Latina (60%) e pela Europa (49%), com Portugal e Espanha como pontos de entrada.
O movimento nem sempre começa com a abertura de escritório. Para 51% das startups, a primeira etapa envolve entrada comercial internacional, e 43% já iniciaram vendas no exterior. Relocação de founders, parcerias e captações internacionais também aparecem como caminhos.
Na prática, a experiência de internacionalização tem relação com o desempenho. Em 2025, 65% do lucro bruto das startups veio do exterior, com 20% proveniente de fora da América Latina. O Ebanx, por exemplo, processou mais de 1,3 bilhão de transações em 2025 para clientes como Uber, Spotify, AliExpress, Shein e Canva.
João Del Valle, CEO do Ebanx, destaca que a missão inicial foi ajudar clientes internacionais a crescer no Brasil, o que acabou levando a empresa a migrar parte da atuação para outros países. A visão do fundador aponta para a necessidade de ter a internacionalização entre as principais prioridades da empresa.
A pesquisa revela ainda que 60% dos 25 unicórnios brasileiros tinham uma tese predominantemente doméstica ao atingir valuation de US$ 1 bilhão. Em mercados da América Latina, esse número cai para 16%.
Além do potencial de mercado (75%) e da demanda de clientes (42%), fatores como taxa de câmbio, liquidez do mercado privado, acordos de comércio e o ciclo global de inovação influenciam a aposta internacional.
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