- O aiatolá Mojtaba Khamenei assumiu como líder supremo do Irã após a morte do pai, Ali Khamenei, mas sua autoridade pode não ser automática e há dúvidas sobre a condição de saúde dele.
- A Guarda Revolucionária Islâmica mantém o poder central no Irã, operando com uma estrutura em mosaico e unidades que podem agir de forma independente.
- O assassinato de Ali Khamenei e de outras lideranças, incluindo o chefe da Marinha, Alireza Tangsiri, representou um golpe, mas o regime continua a conduzir a guerra e as estratégias.
- Entre as figuras de peso que permanecem, destacam-se Ahmad Vahidi, Esmail Qaani, Mohammad Baqer Qalibaf, Mohseni-Ejei, Masoud Pezeshkian, Saeed Jalili, Alireza Arafi e Abbas Araqchi.
- O Irã segue um sistema que combina governo clerical com um presidente eleito e parlamento, com a Guarda Revolucionária exercendo influência significativa sobre decisões estratégicas.
O Irã permanece sob uma estrutura de poder complexa que sustenta o regime mesmo após a perda de lideranças-chave. Mortes atribuídas a inimigos externos não impediram Teerã de manter a capacidade de planejar e operar na guerra em curso desde o fim de fevereiro.
O ex-líder supremo Ali Khamenei foi eliminado nos primeiros ataques, segundo relatos de agências internacionais. O sucessor formal, Mojtaba Khamenei, filho de Ali, herdou amplos poderes, mas não a autoridade automática do pai. A liderança é escolida pela Guarda Revolucionária, que atua de forma comitê-centrada.
A guinada estrutural ocorre em meio a uma guerra em curso, com a Guarda Revolucionária Islâmica afirmando manter o comando estratégico. Mesmo com as mortes iniciais de comandantes, o grupo nomeou substitutos experientes, mantendo planos estabelecidos e a capacidade de operar de forma independente.
O que mudou na liderança e na governança?
O novo líder Mojtaba Khamenei, retratado como veterano ferido pelo conflito, ainda não foi visto com frequência pela imprensa estatal. Sua condição de saúde provoca dúvidas sobre sua disponibilidade para decisões diárias. O aparato clerical continua a sustentar o governo segundo a doutrina velayat-e faqih.
A Guarda Revolucionária ampliou seu papel na tomada de decisões estratégicas, associando-se a uma estrutura organizacional em mosaico. O corpo militar permanece capaz de coordenar ações em diferentes frentes, mesmo com a perda de altos comandantes.
Principais nomes que permanecem ativos
Ahmad Vahidi comanda a Guarda Revolucionária e tem histórico de atuação na Força Quds, Defesa e repressão interna. Esmail Qaani supervisiona a rede de alianças regionais desde 2020, mantendo laços com grupos aliados. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, figura influente, participa de negociações recentes com os EUA.
O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, é visto como linha-dura, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian atua como a voz eleitoral de peso. O ex-chefe de Segurança Nacional Saeed Jalili e o aiatolá Alireza Arafi também compõem o conjunto de lideranças com papel decisivo.
Outros pontos relevantes
O cargo de ministro das Relações Exteriores, ocupado por Abbas Araqchi, teve atuação marcante em negociações com potências ocidentais, Rússia, China e vizinhos da região. A conjuntura política inclui o papel do Conselho dos Guardiães, que influencia candidaturas e a governança do país, mesmo em tempos de crise.
O Irã mantém um sistema que combina clericalismo com uma presidência eleita e um parlamento ativo. A Guarda Revolucionária segue como eixo estratégico, mesmo diante de perdas relevantes e de mudanças de comando, segundo análises de observadores próximos ao conflito.
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