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Eslováquia migra do setor automotivo para indústria de munições

De polo automotivo a potência de munições: alianças entre bilionário tcheco e ministro eslovaco elevam exportações de defesa em 2.200%, mirando até 3% do PIB

Linha de produção de munições de grande calibre da ZVS em Dubnica nad Vahom, Eslováquia: indústria de defesa poderá representar até 3% do PIB do país
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  • A Eslováquia teve exportações de produtos de defesa aumentadas em 2.200% em quatro anos, totalizando €2,4 bilhões, impulsionadas pela parceria entre o bilionário tcheco Michal Strnad e o ministro da Defesa eslovaco, Robert Kalinak.
  • A ZVS Holding, de Dubnica nad Vahom, ampliou a produção de munições de grande calibre e hoje emprega 1.400 pessoas em dois locais, com planos de chegar a 2.000 em breve e montar uma terceira unidade.
  • O Czechoslovak Group (CSG), grupo de Strnad, registrou o maior crescimento de receita entre as 100 maiores empresas de defesa em 2024, e projeta receitas de até €7,6 bilhões em 2026.
  • A indústria de defesa pode representar até 3% do PIB da Eslováquia, destacando-se como uma nova linha de crescimento econômico diante de uma indústria automotiva estagnada.
  • O plano prevê ampliar a produção de munições de grande calibre com sistemas modulares de carga para obuseiros de 155 milímetros, fortalecendo a cadeia interna de fornecimento com três unidades em operação.

A Eslováquia vive uma guinada industrial ligada ao setor de defesa. A parceria entre o bilionário tcheco Michal Strnad e o ministro da Defesa eslovaco, Robert Kalinak, impulsiona a ZVS Holding, peça central do grupo Czechoslovak Group (CSG), a ampliar a produção de munições de grande calibre.

A planta em Dubnica nad Vahom, antiga fábrica de armas, passou por reformas e criação de novas linhas. Hoje, a produção de munições e sistemas vinculados ao setor bélico é o motor de recuperação econômica da região, antes marcada pelo declínio industrial.

Entre 2020 e 2024, a ZVS elevou o número de funcionários, de centenas a 1.400, com planos de chegar a 2.000 após a abertura de uma nova unidade em Strazske, no leste do país. O objetivo é consolidar uma cadeia produtiva completa para munições.

As exportações de defesa da Eslováquia cresceram de forma expressiva, ampliando o valor de 2,4 bilhões de euros em quatro anos. Dados do Sipri indicam que o CSG liderou aumentos de receita entre as grandes empresas de defesa em 2024.

A estratégia envolve ampliar a capacidade com sistemas modulares de carga de artilharia para obuseiros de 155 mm, usados por países da OTAN. O governo eslovaco tem dado apoio ao setor, segundo Strnad, que também ampliou a presença na bolsa de Amsterdã.

A região de Dubnica nad Vahom, com 22 mil habitantes, vive a transição entre o legado industrial e a nova fase bélica. Houve recuperação de infraestrutura local e melhoria de serviços, influenciando o procurement de mão de obra qualificada.

Kalinak e Strnad defendem a visão de que a indústria de defesa pode representar até 3% do PIB. O governo vê no setor uma tábua de salvação para a economia diante da crise econômica europeia, segundo entrevistas concedidas ao longo de 2024.

A produção de munições atualmente soma centenas de milhares de projéteis por ano, em comparação com o patamar anterior de dezenas de milhares. A ZVS está ligada a contratos com o Ministério da Defesa da Eslováquia e com estados da OTAN.

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