- Cerca de mil Kenyans teriam sido recrutados por anúncios no Facebook para trabalhar na Rússia como limpadores, mas muitos foram enganados e coagidos a lutar no exército russo.
- Um jovem keniano identificado como “Evans” aparece em vídeo da Marinha ucraniana, dizendo ter sido levado com visto de turista e forçado a servir no Exército russo, o que evidenciaria o golpe.
- Uma estimativa da inteligência queniana, em fevereiro, aponta que mais de mil Kenianos já lutaram na guerra da Rússia contra a Ucrânia, com denúncias de conivência entre autoridades e agências de recrutamento.
- O governo keniano e a embaixada russa na época negaram envolvimento formal, enquanto defensores dos direitos humanos destacam possíveis ligações com a Igreja Ortodoxa Russa em campanhas de recrutamento; autoridades visitaram-se para discutir a proibição de recrutamento de kenianos.
- Até o momento, houve pelo menos uma morte, 39 hospitalizados e 28 sumidos em ação; casos isolados de recrutamento irregular seguem sob apuração e debate público sobre políticas de emprego e migração.
Em Kenya, centenas de jovens foram recrutados para trabalhar na Rússia por meio de anúncios nas redes sociais, na ideia de atuar como zeladores e motoristas. A promessa era visto de trabalho na Rússia, passagem aérea e visto. A história ganhou contornos de alerta quando surgiram relatos de coerção para a carreira militar.
A investigação aponta que mais de 1.000 kenianos teriam sido envolvidos em atividades ligadas ao conflito na Ucrânia, seja de forma voluntária ou por indução. Casos de fraude e cobrança de taxas elevadas foram atribuídos a agências de recrutamento, com suspeitas de conluio entre representantes locais e serviços russos.
Além dos relatos de recrutamento, surgiram relatos de Kenianos presos na linha de frente e de promessas não cumpridas. Um homem identificado como Evans denunciou ter sido conduzido a lutar sob turismo, após chegar à Rússia, e pediu auxílio para libertação.
Desdobramentos e respostas
Segundo autoridades de inteligência locais, houve denúncias de mais de 39 kenianos hospitalizados e 28 desaparecidos, com pelo menos uma morte envolvendo um cidadão local. A embaixada russa em Nairóbi negou envolvimento direto de agentes oficiais, classificando as acusações como propaganda.
A agência de direitos humanos Vocal Africa mencionou ligações entre organização religiosa local e recrutamento, enquanto líderes religiosos questionaram a veracidade das informações e evitaram comentar oficialmente. Um sacerdote ouvido por veículos de imprensa ressaltou que a igreja não incentiva serviços militares.
Em resposta, o governo do Quênia, após pressões das famílias, reuniu-se com autoridades russas para cessar a participação de kenianos no conflito. O acordo prevê que kenianos não voltem a ser recrutados para lutar na Ucrânia, segundo fontes oficiais.
A incidência de recrutamento envolve fatores socioeconômicos, como desemprego e pobreza. Analistas locais destacam que a expectativa de melhores salários leva jovens a buscar oportunidades no exterior, tornando-os vulneráveis a golpes e indução ao serviço militar.
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