- O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Ghadirli, afirmou que o Irã resistirá a uma invasão militar dos Estados Unidos.
- Ele disse que a população iraniana espera a entrada de tropas americanas para “bater o recorde do Vietnã”, referência aos 58 mil militares dos EUA mortos no Vietnã.
- Ghadirli afirmou que os EUA e Israel estão em posição pior do que antes dos ataques, e que o estreito de Ormuz, embora aberto antes da guerra, fica sob gestão estratégica do Irã.
- Segundo o embaixador, o melhor caminho seria evitar guerra e retomar negociações por diálogo político; ele acusou o regime dos EUA e o regime sionista de terem escolhido a guerra.
- Sobre fertilizantes, disse que o agronegócio brasileiro poderá importar ureia do Irã sem dificuldades, com negociações diretas entre empresas brasileiras e iranianas e disponibilidade significativa de ureia no país.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Ghadirli, afirmou que o país resistiria a uma invasão militar dos Estados Unidos. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 31 de março de 2026, na Embaixada do Irã, em Brasília, e foi traduzida para o português.
Ghadirli disse que a população iraniana quer evitar guerra, mas que avanços dos EUA seriam recebidos com resistência. Segundo ele, os ataques de 28 de fevereiro comprometeram o apoio popular a novas negociações entre Teerã e Washington.
O embaixador afirmou que os EUA e Israel estão em posição pior do que antes dos ataques. Referiu-se ao estreito de Ormuz como tema central, afirmando que permanece aberto para países amigos, sob gestão iraniana.
Ormuz e relações regionais
Segundo o embaixador, o estreito continua sob controle estratégico do Irã, mesmo após as agressões recentes. Ghadirli apontou que outros países do Golfo enfrentam mais restrições de passagem, enquanto o Irã mantém capacidade de sustentar atividades comerciais.
Ghadirli destacou que o Irã resistiria por mais tempo devido aos 47 anos de resistência econômica. Afirmou que o desenvolvimento tecnológico depende do esforço nacional e de políticas internas.
Fertilizantes e comércio com o Brasil
O embaixador mencionou que o agronegócio brasileiro pode importar ureia do Irã sem grandes dificuldades, desde que haja negócios diretos entre brasileiros e iranianos. Afirmou haver disponibilidade significativa de ureia no país.
Ele disse que não haveria restrições na passagem pelo estreito de Ormuz, mas que o governo iraniano controla parte da passagem de navios. Ghadirli pediu negociações diretas entre importadores e armadores com operações financeiras diretas.
Ghadirli ainda ressaltou que metade da ureia utilizada no Brasil é produzida no Irã e incentivou empresários brasileiros a manterem acordos diretos com fornecedores iranianos.
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