- Abdulla Mohtadi, líder exilado do Komala, disse à Euronews que não há qualquer figura no regime islâmico do Irã que seja confiável, contrastando com as declarações dos EUA de que funcionários iranianos seriam “razoáveis” durante negociações.
- Em entrevista exclusiva, Mohtadi classificou os líderes da República Islâmica como “ açougueiros do povo” e “criminosos”, defendendo um sistema democrático e secular que respeite minorias, incluindo curdos.
- O líder curdo apontou que cerca de 10% da população iraniana é de curdos, com histórico de repressão e marginalização, e mencionou que muitos vivem no oeste e no noroeste do Irã ou no Curdistão iraquiano.
- Sobre a operação militar conjunta EUA-Israel, Mohtadi disse apoiar esforços para enfraquecer o regime, mas afirmou que a mudança de regime depende do povo iraniano e que não apoia danos à infraestrutura civil.
- O exército de Mohtadi indicou que houve especulação sobre uma ofensiva terrestre curda apoiada por estrangeiros; ele informou à Euronews que a ideia existe, mas não como plano, e que as forças curdas ainda estão em posições defensivas no Curdistão iraquiano, sob ataque de mísseis e drones.
O líder exilado do Komala, Abdulla Mohtadi, afirmou em entrevista exclusiva à Euronews que não vê qualquer figura no regime islâmico do Irã como confiável para negociações. A declaração contrasta com avaliações da administração dos EUA de que oficiais iranianos seriam negociadores razoáveis.
Mohtadi, que dirige o Komala Party of Iranian Kurdistan a partir do Iraque, criticou o regime iraniano, descrevendo seus dirigentes como responsáveis por abusos contra o povo. O líder reiterou o objetivo de uma solução democrática e secular que inclua os curdos e outras minorias.
O contexto envolve a relação entre EUA, Israel e o Irã, em meio a uma campanha militar coordenada entre Estados Unidos e aliados contra o regime de Teerã. Mohtadi disse apoiar estratégias para enfraquecer o regime, com ressalva de preservar infraestrutura civil.
Posição de Mohtadi sobre o impacto externo
O dirigente explicou que a mudança de regime depende do povo iraniano, destacando que apenas a redução de ações repressivas poderia abrir caminho para um futuro democrático. Ele apontou que o apoio externo deve ser cuidadosamente calibrado para evitar danos civis.
Mohtadi avaliou que a atuação internacional já era prevista e mencionou uma longa história de hostilidade entre o Irã e regimes adversários. Segundo ele, comunidades como curdos, baluchs, azeris, árabes e persas compartilham a oposição ao governo vigente.
Contexto regional e perspectivas
O líder curdo disse que parte da população kurda iraniana vive na região oeste e noroeste do Irã, com muitos exilados na Região do Curdistão do Norte do Iraque. Ele criticou a política europeia de contenção, defendendo uma postura mais ativa contra o regime.
Em relação a uma possível ofensiva terrestre apoiada por potências ocidentais, Mohtadi afirmou que se trata de uma hipótese ainda em estudo, não de um plano formal. Ele informou que as forças curdas do Iraque se mantêm em posição defensiva, sem cruzar a fronteira, sob repetidos ataques de mísseis e drones.
Sobre o papel dos curdos iranianos
Mohtadi reiterou a importância dos curdos iranianos como uma das vozes de oposição mais consistentes ao regime desde 1979. Ele ressaltou que há também outras etnias que buscam direitos dentro de um Irã democrático.
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