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Gás argelino pode reduzir dependência europeia do Estreito de Ormuz

Argélia surge como válvula de segurança para a Europa, porém não substitui plenamente o gás do Qatar, mantendo incertezas de oferta e preços

Algerian flags fly Wednesday 16 April 2025 in Algiers
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  • Argélia é considerada uma “válvula de segurança” para a Europa, mas não substitui completamente o gás do Qatar.
  • O bloqueio do Estreito de Hormuz elevou os preços de gás na Europa, com o preço do gás natural (TTF) subindo entre sessenta por cento e cem por cento, e o Brent acima de cento dólares.
  • Em dois mil e vinte cinco, a Argélia forneceu entre quarenta e quarenta bilhões de metros cúbicos à UE (cerca de treze a14% das importações totais), via gasodutos TransMed e Medgaz e também por LNG.
  • A substituição total do gás qatari é inviável no curto prazo; a ampliação argelina pode ficar entre quatro e oito bilhões de metros cúbicos em dois mil e vinte e seis, enquanto a demanda doméstica cresce 3% a 4%.
  • A Europa deve continuar diversificando fontes, buscando Estados Unidos, Noruega e Azerbaijão, fortalecendo a parceria com a Argélia e acelerando a transição para energias renováveis e hidrogênio verde.

Algeria aparece como uma válvula de escape para a Europa, em meio a tensões no estreito de Hormuz. O conflito entre EUA, Israel e Irã intensificou a risk de interrupção no abastecimento de energia mundial, com Teerã fechando parcialmente o canal estratégico.

Desde 28 de fevereiro, a região vive incertezas. O estreito, antes utilizado por milhares de navios diariamente, teve o tráfego drasticamente reduzido e exigiu autorizações para passagem, elevando custos logísticos e de energia.

A análise aponta que a paralisação afeta o fornecimento global. A suspensão impacta especialmente as vias de petróleo e gás, além de aumentar a volatilidade nos preços de referência como Brent e TTF na Europa.

A situação impulsiona a Europa a buscar fornecedores alternativos. A Argélia surge como parceira estratégica, pela proximidade geográfica, estabilidade relativa e maior dependencia de gas via gasodutos.

Antes do conflito, a Argélia já era grande fornecedora de gás para a UE. Com a invasão da Ucrânia, esse papel se intensificou, ampliando a participação de Azera em contratos europeus.

Argélia: “pulmão alternativo” diante de gargalos

Hashem Akel, especialista citado pela Euronews, vê o ataque ao complexo Ras Laffan como ponto de inflexão no mercado energético, com redução de produção do Catar em cerca de 17%.

Akel afirma que o efeito pode durar anos, elevando preços do gás na Europa e pressionando a indústria, especialmente na Alemanha e Itália. As reservas de gás na UE caíram no início de 2026.

O risco é de crise energética no próximo inverno, com aumento de tarifas elétricas e de gás, conforme o especialista. A competição por LNG entre mercados globaliza a disputa por suprimento.

A Argélia ampliou o papel na matriz europeia desde 2022, quando a crise energética russo-ucraniana destacou sua relevância. Em 2025, forneceu entre 39 e 40 bilhões de m³ à UE, cerca de 13-14% das importações.

Na prática, a maior parte chega por gasodutos — TransMed para a Itália e Medgaz para a Espanha — além de LNG. O Catar respondia por 3,8% das importações europeias de gás.

A Argélia oferece vantagem de custos com pipeline e menor exposição a riscos geopolíticos marítimos, em comparação ao transporte via mar.

Pode a Argélia compensar a ausência do gás do Catar?

Segundo Akel, a substituição é parcial e não imediata. Itália e Espanha já negociações diretas para ampliar entregas, com aumentos potenciais via Medgaz e TransMed.

Os suprimentos argelinos sobem, com fluxo por gasoduto aumentando cerca de 22% em janeiro de 2026 e mantendo impulso até março. A expansão de produção de LNG também é estudada.

Desafios adicionais incluem a capacidade de produção, que opera próxima do limite, e o crescimento da demanda interna. Campos mais antigos já mostram declínio, mesmo com novos desenvolvimentos.

Estimativas apontam que, em 2026, o crescimento de fornecimento argelino fique entre 4 e 8 bilhões de m³, insuficiente para cobrir a queda de Qatar. A competição por LNG, especialmente da Ásia, complica o quadro.

A atuação argelina funciona como uma válvula de segurança para a Europa, mas não substitui totalmente o gás qatari. A diversificação deve continuar, com maior importação de LNG dos EUA, Noruega e Azerbaijão.

O entendimento entre Europa e Argélia pode ganhar importância a longo prazo, com investimentos em energias renováveis e hidrogênio verde. Se o conflito persistir, o verão deve acelerar acordos energéticos para evitar crise no inverno.

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