- Argélia é considerada uma “válvula de segurança” para a Europa, mas não substitui completamente o gás do Qatar.
- O bloqueio do Estreito de Hormuz elevou os preços de gás na Europa, com o preço do gás natural (TTF) subindo entre sessenta por cento e cem por cento, e o Brent acima de cento dólares.
- Em dois mil e vinte cinco, a Argélia forneceu entre quarenta e quarenta bilhões de metros cúbicos à UE (cerca de treze a14% das importações totais), via gasodutos TransMed e Medgaz e também por LNG.
- A substituição total do gás qatari é inviável no curto prazo; a ampliação argelina pode ficar entre quatro e oito bilhões de metros cúbicos em dois mil e vinte e seis, enquanto a demanda doméstica cresce 3% a 4%.
- A Europa deve continuar diversificando fontes, buscando Estados Unidos, Noruega e Azerbaijão, fortalecendo a parceria com a Argélia e acelerando a transição para energias renováveis e hidrogênio verde.
Algeria aparece como uma válvula de escape para a Europa, em meio a tensões no estreito de Hormuz. O conflito entre EUA, Israel e Irã intensificou a risk de interrupção no abastecimento de energia mundial, com Teerã fechando parcialmente o canal estratégico.
Desde 28 de fevereiro, a região vive incertezas. O estreito, antes utilizado por milhares de navios diariamente, teve o tráfego drasticamente reduzido e exigiu autorizações para passagem, elevando custos logísticos e de energia.
A análise aponta que a paralisação afeta o fornecimento global. A suspensão impacta especialmente as vias de petróleo e gás, além de aumentar a volatilidade nos preços de referência como Brent e TTF na Europa.
A situação impulsiona a Europa a buscar fornecedores alternativos. A Argélia surge como parceira estratégica, pela proximidade geográfica, estabilidade relativa e maior dependencia de gas via gasodutos.
Antes do conflito, a Argélia já era grande fornecedora de gás para a UE. Com a invasão da Ucrânia, esse papel se intensificou, ampliando a participação de Azera em contratos europeus.
Argélia: “pulmão alternativo” diante de gargalos
Hashem Akel, especialista citado pela Euronews, vê o ataque ao complexo Ras Laffan como ponto de inflexão no mercado energético, com redução de produção do Catar em cerca de 17%.
Akel afirma que o efeito pode durar anos, elevando preços do gás na Europa e pressionando a indústria, especialmente na Alemanha e Itália. As reservas de gás na UE caíram no início de 2026.
O risco é de crise energética no próximo inverno, com aumento de tarifas elétricas e de gás, conforme o especialista. A competição por LNG entre mercados globaliza a disputa por suprimento.
A Argélia ampliou o papel na matriz europeia desde 2022, quando a crise energética russo-ucraniana destacou sua relevância. Em 2025, forneceu entre 39 e 40 bilhões de m³ à UE, cerca de 13-14% das importações.
Na prática, a maior parte chega por gasodutos — TransMed para a Itália e Medgaz para a Espanha — além de LNG. O Catar respondia por 3,8% das importações europeias de gás.
A Argélia oferece vantagem de custos com pipeline e menor exposição a riscos geopolíticos marítimos, em comparação ao transporte via mar.
Pode a Argélia compensar a ausência do gás do Catar?
Segundo Akel, a substituição é parcial e não imediata. Itália e Espanha já negociações diretas para ampliar entregas, com aumentos potenciais via Medgaz e TransMed.
Os suprimentos argelinos sobem, com fluxo por gasoduto aumentando cerca de 22% em janeiro de 2026 e mantendo impulso até março. A expansão de produção de LNG também é estudada.
Desafios adicionais incluem a capacidade de produção, que opera próxima do limite, e o crescimento da demanda interna. Campos mais antigos já mostram declínio, mesmo com novos desenvolvimentos.
Estimativas apontam que, em 2026, o crescimento de fornecimento argelino fique entre 4 e 8 bilhões de m³, insuficiente para cobrir a queda de Qatar. A competição por LNG, especialmente da Ásia, complica o quadro.
A atuação argelina funciona como uma válvula de segurança para a Europa, mas não substitui totalmente o gás qatari. A diversificação deve continuar, com maior importação de LNG dos EUA, Noruega e Azerbaijão.
O entendimento entre Europa e Argélia pode ganhar importância a longo prazo, com investimentos em energias renováveis e hidrogênio verde. Se o conflito persistir, o verão deve acelerar acordos energéticos para evitar crise no inverno.
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