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A UE abandona o uso de vetos como manobra de poder dos Estados-membros?

Vetoes de Estados-membros, dito como defesa da soberania, podem impedir reformas da União Europeia ao exigir unanimidade

Euronews
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  • Sob o direito da UE, os estados-membros podem vetar decisões que tocam de perto sua soberania, como política externa, orçamento, adesão e tributação.
  • O tratado estabelece que a União é uma união de estados soberanos, não uma federação, e que nenhuma decisão pode obrigar um governo a agir contra seus interesses fundamentais; por isso existe unanimidade em política externa e segurança.
  • O veto não é uma falha do sistema, mas um instrumento previsto para defender identidades nacionais.
  • O uso do veto para conseguir concessões levanta questionamentos sobre quando ele é legítimo e quando é estratégia de pressão, com casos como a Hungria vetoando ajuda à Ucrânia ou sanções à Rússia (21 vetoes em 38 questões desde 2011).
  • A abolição do veto requer unanimidade, o que pode manter o bloco imóvel diante de reformas necessárias.

O veto por parte de Estados-membros ainda é permitido pelas regras da União Europeia, mas seu uso levanta questões sobre o equilíbrio entre soberania nacional e interesses do bloco. Em áreas sensíveis como política externa, tributação, alargamento e orçamento, a unanimidade é exigida e pode bloquear decisões que afetam todo o grupo.

Segundo a base jurídica, o bloco é uma união de estados soberanos, não uma federação, e nenhum governo deve ser compelido a decisões contrárias a seus interesses fundamentais. O Artigo 31(1) do Tratado da União Europeia exige unanimidade em política externa e de segurança. O Artigo 4(2) determina respeito às identidades nacionais.

O problema aparece quando o veto é usado para obter concessões e avanços em questões não diretamente ligadas à soberania. Países como a Hungria, mantendo veto a ajuda à Ucrânia ou a sanções à Rússia, justifica 21 utilizações em 38 temas desde 2011, segundo o relato, atuando sob o argumento de proteção soberana.

Não há salvaguardas formais que distinguam veto legítimo de proteção de soberania de manobra de pressão. A prática de apresentar o veto como defesa de interesses nacionais é recorrente entre os Estados-membros, dificultando a diferenciação entre motivos ideais e estratégicos.

A necessidade de unanimidade para abolir o veto cria um ciclo em que reformas parecem inviáveis, mantendo o bloco preso a posições individuais. A situação gera questionamentos sobre a capacidade da UE de avançar em políticas comuns sem comprometer a coesão entre Estados-membros.

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