- O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou a “previsibilidade” da Europa durante visita ao Japão, em tom que parece criticar Donald Trump.
- Macron afirmou que há países que podem te prejudicar sem avisar, referência indireta aos Estados Unidos na crise em curso.
- O governo de Trump havia criticado a França por não permitir que aviões com suprimentos militares cruzassem seu território.
- Macron e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, destacaram cooperação em meio à crise energética e defenderam segurança na passagem pelo estreito de Hormuz.
- Japão e França assinaram acordos sobre minerais críticos e cooperação de defesa, com visitas e encontros bilaterais adicionais programados durante a estadia.
Macron encerrou a agenda na capital japonesa elogiando a previsibilidade europeia durante visita a Tóquio, em meio a críticas de Washington. O presidente francês destacou que a Europa está presente onde é previsível, contrastando com países que podem agir sem avisar, em tom interpretado como indireta a Donald Trump.
No encontro com empresários, Macron disse que a Europa não deve abrir mão de seus pilares, mesmo em conflitos. A nota oficial destacou que Paris participa de um eixo que não integra ofensivas militares lançadas sem consulta, posição reiterada pela assessoria do presidente.
A declaração de Macron ocorreu após Trump acusar a França de ser pouco cooperativa na guerra envolvendo o Irã, com repercussões no estreito de Hormuz, vital para o abastecimento de petróleo do Japão. O porta-voz da Presidência francesa afirmou surpresa com a crítica norte-americana.
Relações e diálogo com Japão
Durante a reunião com o primeiro-ministro japonês Sanae Takaichi, os dois líderes enfatizaram a cooperação em meio à crise energética global. O Japão depende de importações do Oriente Médio para 95% de seu petróleo, com aumentos de preços desde o início do conflito.
Foi assinado um roteiro sobre acesso a minerais críticos e outro sobre cooperação em defesa. Projetos conjuntos também foram apresentados, incluindo iniciativas para reduzir detritos espaciais e reforçar a segurança marítima na região.
Takaichi e Macron defenderam o papel das Nações Unidas e a ordem internacional, ao discutir a garantia de tráfego seguro pela Estrada de Hormuz e a estabilidade no suprimento de materiais essenciais. A visita marca o quarto encontro de Macron com autoridades japonesas.
Contexto regional e agenda futura
A agenda bilateral ocorre num momento de tensões crescentes entre China e Japão, após comentários de Takaichi sobre intervenção militar em caso de Taiwan. Macron, que visitou a China em dezembro, mantém diálogo estratégico com parceiros asiáticos.
O programa prevê almoço com o Imperador Naruhito e a Imperatriz Masako, com a previsão de vista externa das cerejeiras, cancelada pela chuva. Na sequência, Macron seguirá viagem para a Coreia do Sul na quinta-feira.
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