- Alemanha recebe as primeiras entregas de LNG omanés sob contrato de quatro anos com a SEFE, iniciadas neste mês, sem impacto aparente do conflito no Oriente Médio.
- Oman fica longe do estreito de Hormuz; as remessas continuam conforme o planejado, mesmo com interrupções na região.
- Análise do Capital sugere exposição alemã maior do que o governo admite: apenas 10,3% das importações vieram de LNG via terminais alemães, principalmente dos EUA; Holanda e Bélgica respondem por grande parte das compras de LNG da UE.
- Os estoques de gás na Alemanha estão em cerca de 22%, níveis historicamente baixos para a época, o que pode manter a volatilidade de preços se o conflito se prolongar.
- A SEFE lançou uma nova licitação para LNG entre 2027 e 2036, visando terminais na Alemanha, França, Holanda e Bélgica para compensar interrupções do Oriente Médio.
Germany recebe as primeiras remessas de GNL do Oman, conforme o previsto, em meio a interrupções no comércio de energia no Oriente Médio. O contrato de quatro anos, firmado em 2023 entre o produtor estatal de GNL de Oman e a SEFE, tem início neste mês, segundo a SEFE à revista Capital.
As entregas não foram afetadas pelo conflito em andamento, afirmou a empresa. Oman fica do outro lado do estreito de Ormuz, longe da área de hostilidades que afetam outras regiões de produção.
Mesmo assim, a análise da cadeia de suprimentos alemã aponta vulnerabilidades. O eixo de crise no Golfo levanta dúvidas sobre a dependência de fontes futuras e o papel de rotas alternativas no abastecimento.
Exposição da Alemanha na prática
Dados da Capital mostram que apenas 10,3% das importações de gás da Alemanha chegaram por seus quatro terminais de GNL no ano passado, majoritariamente vindo dos EUA. Essas vulnerabilidades não aparecem nos números oficiais, dizem analistas.
A Holanda e a Bélgica, grandes importadoras de GNL, fornecem parte significativa do gás para a Alemanha por via marítima. Rotterdam e Zeebrugge recebem volumes expressivos, regaseificam e enviam pelo gasoduto.
A Bélgica viu o terminal de Zeebrugge alcançar recorde de 55,5 TWh em 2025. A Holanda importou 45% de gás via GNL em 2024, com 30% vindo de cargueiros norte-americanos, segundo a Capital.
Mercados e estoques
Como não é possível rastrear moléculas específicas de gás, o tamanho real da dependência indireta de GNL é impreciso, mas a tendência é de maior exposição aos mercados dos EUA.
As reservas de gás da Alemanha estão em cerca de 22%, nível historicamente baixo para a época. Não há forte pressões para reabastecer antes do inverno, já que preços de curto e longo prazo estão alinhados.
A Agência Federal de Rede informou que não há problemas de volume e que o abastecimento está garantido. A proteção de preços em contratos de consumidores ajuda a mitigar choques momentâneos, mas a volatilidade pode continuar.
Perspectivas de curto prazo
O preço referencial do gás na Europa, o TTF, chegou a superar €60/MWh após o ataque a Ras Laffan, mas estabilizou ao redor de €55/MWh. Consultorias projetam cenários mais altos se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por meses.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, sugeriu estender a operação de usinas a carvão para reduzir o uso de gás. Ao mesmo tempo, a ministra Reiche pediu que importadores firmem contratos de longo prazo com produtores no Azerbaijão e na Argélia.
Novas contratações e chamadas à venda
A SEFE lança uma nova licitação para envio de GNL entre 2027 e 2036, com terminais na Alemanha, França, Holanda e Bélgica. O objetivo é compensar interrupções no abastecimento provenientes do Oriente Médio.
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