- Relatório da Ember aponta que a rede elétrica europeia, considerada inadequada, pode colocar mais de 120 GW de projetos de energia renovável em risco, com metade dos operadores de rede tendo capacidade insuficiente para conectar novas usinas.
- As restrições mais severas ficam em Áustria, Bulgária, Letônia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Eslováquia, embora dados de Alemanha e Itália sugiram que o problema pode ser ainda maior.
- Em dezenove países que divulgam capacidade de rede, mais de dois terços dos projetos de vento e solar previstos até 2030 correm risco; até 16 GW de energia solar no telhado podem ser impactados, afetando mais de 1,5 milhão de domicílios.
- O investimento em redes europeias subiu para cerca de € 70 bilhões por ano, mas especialistas dizem que ainda é insuficiente para eliminar gargalos, que já custaram cerca de € 9 bilhões em 2024 em gestão de congestionamento.
- Como exemplo prático, o Reino Unido testa oferecer eletricidade descontada ou gratuita em dias de vento para evitar o desligamento de turbinas, em meio a críticas de gastos com desligamento de geradores fósseis.
Ember alerta que a rede elétrica europeia está desatualizada para acompanhar o boom de renováveis, colocando em risco mais de 120 GW de geração limpa prevista. O aviso vem de um estudo do think tank energético.
Segundo a análise, metade dos operadores de rede aponta capacidade insuficiente para conectar novos projetos de wind e solar, incluindo sistemas residenciais de energia solar. A situação é descrita como risco de segurança energética.
A pesquisa evidencia que, entre 17 países que divulgam dados, os bloqueios se concentram em Áustria, Bulgária, Letônia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Eslováquia. Dados de Alemanha e Itália não são totalmente públicos, o que sugere um problema maior.
Em alguns países, mais de dois terços dos projetos de vento e solar previstos para 2030 correm risco de não se viabilizar devido à capacidade da rede. A limitação também pode atrasar cerca de 16 GW de instalações de energia solar em telhado, impactando mais de 1,5 milhão de domicílios.
A análise lembra que o grid europeu foi desenhado para carvão e, posteriormente, gás, e a expansão de renováveis tende a ocorrer em regiões remotas. Assim, faltam soluções eficientes de transmissão até casas e empresas.
O estudo aponta que, apesar de o investimento em redes ter aumentado para cerca de 70 bilhões de euros por ano nos últimos cinco anos, ainda é insuficiente para remover gargalos. Custos de gestão de congestionamento bateram quase 9 bilhões de euros em 2024.
A repercussão prática envolve famílias e consumidores: a indisponibilidade de rede pode levar ao desligamento de parques eólicos e a dependência maior de combustíveis fósseis, elevando preços e volatilidade no curto prazo.
Países mais impactados
Austira, Bulgária, Letônia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Eslováquia enfrentam as maiores restrições de conexão de novas renewable. Dados de outros grandes sistemas, como Alemanha e Itália, ainda não estão completos, o que pode ampliar a avaliação.
O que vem pela frente
Especialistas chamam a atenção para a urgência de investir na infraestrutura, já que a substituição de combustíveis importados por renováveis depende de redes estáveis. O relatório destaca que a barreira não é apenas técnica, mas de segurança energética.
Preparando o terreno para o futuro
Com a queda de custos de energia, a demanda por soluções como aquecimento elétrico e fotovoltaico residencial aumenta a pressão sobre a rede. Países avaliam modelos de tarifa e incentivos para reduzir o impacto de eventuais gargalos.
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