- Conscritos finlandeses são treinados como atiradores de elite e estão preparados para eventual guerra total na frente de 1.350 quilômetros com a Rússia.
- A Guarda de Fronteira finlandesa diz estar preparada para cenários que vão desde ameaças híbridas, como interferência de drones, até invasão, reforçando o modelo de dissuasão no país.
- Em novembro de 2023, a Finlândia decidiu fechar permanentemente a fronteira a pé com a Rússia e estendeu a Lei de Medidas Temporárias para Combater a Migração Instrumentalizada.
- A migração instrumentalizada pela Rússia foi utilizada em 2023 como tática de conflito, com impactos também em fronteiras da União Europeia, incluindo episódios envolvendo migrantes em países vizinhos.
- Entre os Sami, comunidades indígenas afetadas, há relatos de conscrições forçadas na Rússia e, segundo a liderança Sami, pelo menos sete jovens foram mortos na guerra; há proteção de status para alguns refugiados.
O governo finlandês mantém um regime de preparação e dissuasão contra agressões russas, seja por ataques híbridos ou invasão em grande escala. Os conscritos são treinados para atuação como atiradores de elite, prontos para qualquer cenário na fronteira de cerca de 1350 km com a Rússia.
Na fronteira fortificada, as autoridades de vigilância afirmam estar preparadas para cenários diversos, incluindo interferências eletrônicas, drones de sobrevolo e instrumentalização de migrantes. A deterrência finlandesa é vista como modelo por alguns analistas europeus.
Mikko Lehmus, guarda de fronteira finlandês, afirma que a força está pronta para participar da defesa territorial. Ele descreve o treinamento para eventual guerra total, no posto de fronteira de Raja-Jooseppi, destacando a proximidade com Murmansk, a cerca de 150 a 200 km do lado russo.
Estrutura de defesa e histórico
Em 2023, a Rússia empregou migrantes como parte de uma guerra híbrida contra aliados da Ucrânia, tentando semear divisão. A prática de instrumentalizar civis em fronteiras da OTAN foi amplamente observada.
Pelo menos três países vizinhos enfrentaram episódios semelhantes, com centenas de migrantes chegando a territórios da UE após cruzarem da Bielorrússia. Relatos indicam famílias e crianças envolvidas, segundo autoridades e organizações.
A Finlândia respondeu fechando permanentemente a fronteira a pé em novembro de 2023, após pressão russa de envio de migrantes. O país suspendeu pedidos de asilo sob uma legislação temporária voltada a afrontar migração instrumentalizada.
Medidas legais e posições oficiais
A decisão foi anunciada pela então ministra da Justiça, Anna-Maja Henriksson, que descreveu a medida como adequada para a segurança. A norma vigente, estendida até o fim deste ano, autoriza medidas emergenciais de controle da migração.
Lá em Jooseppi, Henriksson afirmou que a resposta finlandesa reforça a capacidade de proteção fronteiriça. Segundo ela, a percepção do adversário é de que o país está preparado, o que eleva a dissuasão.
Formação de conscritos e perspectivas
Um jovem conscrito, Lauri Stenback, descreve a entrada no serviço militar como oportunidade de desenvolver habilidades de atirador. Ele afirma que o treinamento inclui reconhecimento para operações além da linha inimiga, caso haja conflito.
Stenback explica que o treinamento se concentra em identificar alvos de alto valor e coletar informações. O objetivo é manter a fronteira sob controle e apoiar operações de defesa, se necessário.
Impacto sobre comunidades indígenas e fronteiras
A guerra na Ucrânia também afeta comunidades indígenas, como os Sami, presentes na Finlândia, Rússia, Noruega e Suécia. Alguns Sami russos buscaram proteção na Noruega para evitar o serviço militar compulsório.
Pelo menos sete jovens Sami russos teriam morrido lutando para a Rússia, segundo lideranças da comunidade. O ocorrido evidencia os custos humanos do conflito para comunidades transfronteiriças e minorias étnicas.
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