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Cenário externo ruim atrai investidores à América Latina, diz Stuenkel

Em meio a conflitos globais, a América Latina surge como opção mais segura para diversificação de portfólio, com risco geopolítico menor e entrada de capitais

Mesmo com um ambiente global pessimista, uma região tende a ganhar mais espaço entre os investidores: a América Latina
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  • Oliver Stuenkel, da FGV, afirma que quanto pior o cenário global, mais atraente a América Latina fica para investidores.
  • O mundo tem cerca de sessenta guerras com participação estatal, o que eleva a percepção de incerteza, mas a região latino-americana aparece com menor risco em comparação a outras áreas.
  • Mesmo com conflitos globais, o Brasil registra forte entrada de recursos estrangeiros, impulsionados por juros elevados e valuations baixos no mercado de ações.
  • A análise ressalta que problemas estruturais regionais existem, como crime organizado e crescimento econômico, mas são menores do que tensões militares em outras geografias.
  • Em termos geopolíticos, o estreito de Ormuz é um ponto estratégico: passa cerca de 30% do consumo mundial de petróleo, e o Irã pode tentar exercer controle, o que mantém o saldo de riscos ainda elevado, mas a América Latina fica menos impactada que a Ásia.

O consenso entre investidores aponta que a América Latina tende a ganhar espaço em um cenário global volátil. Em meio a um mundo com sinais de maior risco geopolítico, a região aparece como opção de diversificação para portfólios. A análise é de Oliver Stuenkel, professor da FGV, visto como destaque no evento MKBR 2026.

Stuenkel explica que, apesar de a região ainda sentir impactos de tensões internacionais, o nível de risco é menor do que em outras partes do mundo. Segundo ele, quanto pior o cenário global, mais atrativa a América Latina fica para investimentos.

O gestor Guilherme Maranhão, do Itaú BBA, ressalta que conflitos globais elevam incerteza, pressionam inflação e juros, e levam investidores a revisarem estratégias para buscar maior retorno. O movimento favorece fluxos de capitais para ativos de maior atratividade.

Para Bruno Funchal, do Bradesco Asset Management, o Brasil tem registrado forte entrada de recursos estrangeiros, impulsionados por juros elevados e valuations atrativos no mercado de ações. Ele aponta que a região ganha relevância frente aos riscos geopolíticos.

Stuenkel compara desafios regionais com guerras e interrupções de cadeias globais, destacando que a América Latina se destaca como opção mais estável para diversificação de portfólio. O foco é a mitigação de riscos em cenários de choque internacional.

Arma geopolítica e logística

O especialista destaca que choques globais recentes, como no Oriente Médio, elevam a importância de vias estratégicas. Ormuz, a principal rota de saída do Golfo Pérsico, continua sob atenção internacional, com implicações sobre exportação de petróleo e gás.

Segundo ele, o Irã sinaliza possivel controle sobre o estreito, o que pode impor custos a grandes potências. Mesmo assim, a região asiática recebe impactos maiores, mantendo a América Latina menos afetada de forma ampla.

Dados da energia indicam que 21 milhões de barris passam por Ormuz diariamente, respondendo por cerca de 30% do consumo mundial. Um terço do gás natural liquefeito também transita pela via, considerada o ponto de estrangulamento de petróleo mais relevante.

A possibilidade de alterações no fluxo de energia sinaliza volatilidade de preços no curto prazo, mesmo com cenários de retirada parcial de forças estrangeiras. O entendimento é de que a incerteza tende a persistir.

Diplomacia regional como diferencial

Stuenkel atribui boa parte da estabilidade regional à diplomacia brasileira, cuja tradição de relações construtivas com vizinhos reduz percepções de ameaça entre países da região. Mesmo como maior economia, o Brasil não é visto como risco estratégico para vizinhos.

Essa postura diplomática sustenta menor investimento em defesa em países como Bolívia, Paraguai e Uruguai. A convergência de interesses favorece um ambiente regional estável, o que, segundo o especialista, representa vantagem competitiva em um cenário de disputas geopolíticas.

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