- Acusações afirmam que o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos editou linguagem e programação para agradar a administração de Donald Trump.
- Mudanças incluíram a remoção de recursos online sobre racismo histórico dos EUA e o cancelamento de um workshop sobre a “fragilidade da democracia”.
- O museu teria renomeado o workshop para evitar o termo “fragilidade” e interrompido o debate sobre a ascensão nazista, segundo relato de ex-funcionários.
- Um vídeo de uma conversa de 2018 entre uma sobrevivente do Holocausto e uma mulher cuja pai foi linchado foi deslinkado do site e do canal do museu.
- O USHMM negou as acusações, afirmando que autoridades não ordenaram mudanças no conteúdo ou na programação, e apontou páginas que continuam a relacionar racismo nos EUA ao antisemitismo nazista.
O United States Holocaust Memorial Museum (USHMM), em Washington, DC, é acusado de editar linguagem e reformular atividades para antecipar críticas da administração Trump. Duas ex-funcionárias relataram à jornalista Irie Sentner, do Politico, que mudanças discretas incluíram ajustes no conteúdo online e na programação.
Entre as ações atribuídas, estão a retirada de uma página de recursos educativos que conectava racismo histórico nos EUA ao antisemitismo na Alemanha e a desativação de um vídeo de uma conversa entre uma sobrevivente do Holocausto e uma mulher cujo pai foi linchado no Alabama. O material não foi excluído da web, mas deixou de aparecer nos canais oficiais do museu.
Segundo as fontes, o museu também teria rebatizado um workshop universitário para evitar interpretações sensíveis ao clima político atual, trocando o título de “Fragilidade da Democracia e Ascensão dos Nazistas” para “Antes do Holocausto: Sociedade Alemã e a Ascensão do Nazismo”. A mudança teria sido motivada por preocupações de como o termo fragilidade poderia ser interpretado.
Em seguida, o workshop foi cancelado devido a mudanças de prioridades, segundo as ex-funcionárias. Ainda conforme as fontes, a direção temia envolver debates que deslocassem o foco do período 1933-1945 para temas contemporâneos, o que poderia distorcer o contexto histórico.
O USHMM negou as acusações veiculadas pelo Politico. Em nota, um porta-voz afirmou que não houve ordens da administração Trump ou de terceiros para alterar conteúdos ou programações, destacando que páginas sobre conexões entre racismo nos EUA e antisemitismo nazi continuam disponíveis no site e em materiais educativos.
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