- Especialista diz que exaustão política dos EUA pode motivar o cessar-fogo, em meio a ataques de Israel ao Libano que afetam as negociações.
- Ataques israelenses contra o Libano e bombardeio de duas ilhas iranianas reacenderam o bloqueio e colocaram as negociações em xeque.
- O pesquisador Lier Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, afirma que os EUA fizeram grandes concessões e estariam politicamente exauridos, não militarmente.
- O analista cita a hipótese de o Irã cobrar pedágio para navios passando pelo Estreito de Ormuz, estimando cerca de US$ nove bilhões em poucos dias.
- Ferreira destaca que Trump já recuou de ameaças antes; ainda assim, os EUA teriam papel relevante para iniciar condições de paz durante o cessar-fogo.
Em menos de 72 horas, a tensão no Oriente Médio voltou a crescer, envolvendo Estados Unidos, Israel, Ira e Líbano. Ataques israelenses ao território libanês e o bombardeio de ilhas iranianas reacenderam preocupações com um cessar-fogo difícil de sustentar. O eixo diplomático, que até pouco parecia perto de avançar, voltou a depender de ações militares no terreno.
Segundo analistas, os acontecimentos colocam em risco o acordo que vinha sendo costurado com participação internacional. Pesquisador da UFF, Lier Ferreira, afirma que as ações de Israel desafiam o tecido do acordo, que já nasceu conturbado pela intervenção de Paquistão e China. A leitura é de que os ataques complicam as negociações.
Ferreira aponta ainda que o alinhamento político dos EUA está exaurido, não do ponto de vista militar, mas no aspecto político relativo à participação na guerra. O pesquisador ressalta que o país mantém posição de potência global, com papel relevante na condução das negociações durante o cessar-fogo.
Entre as divergências, o analista menciona a possibilidade de o Irã cobrar pedágio para o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Segundo estimativas, essa hipótese poderia gerar receitas de bilhões de dólares em poucos dias de operação, o que ampliaria disputas econômicas na região.
Ainda conforme o entendimento do especialista, não é a primeira vez que Trump recua em suas ameaças, o que extrai desconfiança de alguns setores. Mesmo assim, os EUA são vistos como parte indispensável para o início das negociações, dada a liderança que exercem no cenário internacional.
Cenário atual e próximos passos
Ferreira destaca que o cessar-fogo precisa ser transformado em condições estáveis para a paz, tarefa que exige atuação coordenada dos Estados Unidos e das potências envolvidas. O analista reforça a importância de manter a pressão diplomática para evitar retrocessos.
A partir de agora, o foco estará em ver como as partes reagem às ações militares recentes e quais concessões poderão sustentar o acordo. A comunidade internacional monitora de perto os desdobramentos, com atenção ao equilíbrio entre segurança regional e negociações em curso.
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