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Cuba acusa EUA de pressionar a América Latina a cancelar acordos médicos

Cuba acusa EUA de extorsão a governos latino-americanos para cancelar acordos de médicos, pressionando a economia da ilha e a principal fonte de divisas

Medical workers of the first Cuban medical brigade of the Henry Reeve Contingent at the Jose Marti International Airport in Havana, 8 June, 2020
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  • O ministro das Relações Exteriores de Cuba acusou os Estados Unidos de extorquir países da América Latina para cancelar acordos de médicos cubanos.
  • Guatemala, Honduras, Jamaica e Guyana encerraram seus contratos com Cuba, segundo o governo cubano.
  • O programa de médicos cubanos emprega cerca de 24.000 profissionais em 56 países em 2025, com metade lotada em Venezuela.
  • A agenda econômica do programa inclui a expectativa de gerar US$ 7 bilhões de receitas para Cuba no ano anterior.
  • A Comissão Interamericana de Direitos Humanos apontou violações, como retenção de salários, confisco de passaportes e ameaças de prisão aos médicos, que recebem entre 2,5% e 25% do valor pago pelos países.

Cuba acusa os Estados Unidos de extorquir países da América Latina ao pressioná-los a cancelar acordos com Havana para o envio de médicos. O chanceler Bruno Rodríguez fez a acusação nesta quinta-feira, em rede social, durante uma escalada de tensões entre Havana e Washington. A ofensiva vem após países da região terem encerrado contratos com Cuba.

Segundo o governo cubano, Washington tenta sufocar a economia da ilha, que lucra com missões médicas no exterior desde os anos 1960. O governo dos EUA classifica o programa como trabalho forçado, parte de uma política de pressão sobre o regime cubano.

Guatemala, Honduras, Jamaica e Guiana anunciaram a suspensão ou o fim de seus acordos com Cuba, segundo fontes oficiais locais. As decisões ocorrem em meio a relações tensas entre Havana e Washington e a um cenário de agravamento econômico em Cuba.

A missão médica cubana é apresentada pelo governo como uma forma de solidariedade e de levar serviços de saúde a regiões remotas. Dados oficiais indicam que cerca de 24 mil profissionais atuaram em 56 países no ano de 2025, com metade dos profissionais projetada para atender à Venezuela.

Em paralelo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos divulgou um relatório que aponta violações graves relacionadas às missões médicas. O documento cita salários baixos, confisco de passaportes e ameaça de prisões para médicos que deixem seus empregos.

Ainda segundo as estatísticas oficiais, os médicos costumam receber entre 2,5% e 25% do valor pago pelos serviços a Cuba. O governo cubano afirmou que os programas são uma forma de assistência a populações carentes, não uma exploração.

O relatório da IACHR descreve práticas que podem ser classificadas como trabalho forçado e tráfico de pessoas, segundo a presidência da instituição. A defesa cubana reiterou que a missão visa atender regiões de difícil acesso.

Aromas de tensão geopolítica envolvem o tema, com o alto peso econômico do programa para o equilíbrio das contas externas cubanas. A gestão cubana destaca a continuidade das missões apesar de pressões internacionais.

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