- Ivo Daalder, ex‑embaixador dos EUA na Otan, afirma que as ameaças de Donald Trump de deixar a Otan e o conflito com o Irã minaram a aliança, causando a pior crise que a Otan já enfrentou.
- Daalder diz que as últimas seis semanas deixaram a Otan dividida, o que, segundo ele, favorece Moscou e representa um teste para EUA e aliados.
- Segundo ele, a guerra contra o Irã consumiu grande parte das capacidades militares americanas, com estoque de interceptores e mísseis usados na ofensiva.
- A Otan busca reduzir as tensões em encontros em Washington entre o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente dos EUA e outros responsáveis.
- O ex-embaixador aponta que o Irã tem vantagem nas condições do cessar-fogo e, apesar de a passagem pelo Estreito de Ormuz ter sido reaberta, depende de autorização militar iraniana, o que gera incerteza para o comércio internacional.
O ex-embaixador dos EUA na OTAN, Ivo Daalder, afirma a Euronews que as ameaças de Donald Trump de se retirar da aliança e os atritos com aliados europeus fragilizam a defesa coletiva. Ele avalia que a situação é a pior crise já enfrentada pela OTAN.
Daalder aponta que as últimas seis semanas deixaram a aliança dividida, repetindo um objetivo histórico de adversários de testar a unidade da organização. Segundo ele, esse cenário é estratégico para potências como Rússia.
Ele sustenta que as declarações de não defesa aos aliados destabilizam a aliança e afetam a ordem global. O ex-embaixador acrescenta que a pressão política internaliza riscos para a credibilidade da OTAN.
Além disso, Daalder afirma que a guerra de seis semanas contra o Irã consumiu grande parte dos recursos militares dos EUA, com uso intenso de interceptores e mísseis na campanha de bombardeio.
O especialista descreve a OTAN como tendo ficado em atrito, sugerindo que o cenário pode favorecer adversários que observam a aliança com cautela. Ele alerta sobre o deslocamento de capacidades para o Golfo.
Daalder classificou o conflito com o Irã como um erro estratégico de proporções históricas, destacando o custo militar elevado para os EUA.
Contexto geopolítico
Em Washington, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, participa de reuniões com Trump e dirigentes de defesa para amenizar a hostilidade entre EUA e aliados europeus, segundo a avaliação do ex-embaixador.
Ele considera que, à primeira vista, o Irã tem vantagem nas condições do cessar-fogo negociado nesta terça-feira para evitar destruição civil em larga escala. A forma de verificação e implementação permanece incerta.
Segundo o relato, o acordo prevê a reabertura de rotas de navegação pelo Estreito de Hormuz, porém requer autorização das forças armadas iranianas para a passagem de embarcações.
O Irã tem mantido o estreito como instrumento de retaliação pela atuação dos EUA e de Israel, o que gerou aumento nos preços de combustível e incerteza econômica global, conforme Daalder.
A discussão sobre a passagem de navios permanece incerta: não há detalhes claros sobre como as garantias de tráfego internacional seriam asseguradas. Daalder afirma que mudanças não estão plenamente especificadas.
O ex-embaixador aponta que o estreito estava aberto antes dos bombardeios, mas agora a movimentação de navios ocorre sem dados precisos de volume e cronograma, com o Irã afirmando controle contínuo sobre a passagem.
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