- Indonesia planeja reclassificar o Way Kambas National Park, reduzindo sua zona de proteção central de aproximadamente 60.000 para 27.661 hectares e expandindo quase dez vezes a área destinada a créditos de carbono e desenvolvimento.
- A ideia é financiar a conservação por meio de comércio de carbono e turismo de alto nível, segundo o governo, o que tem gerado críticas de especialistas e ativistas.
- Especialistas destacam que reduzir a zona central pode prejudicar a fauna, já que elefantes de Sumatra dependem de gramíneas; substituir áreas abertas por florestas densas pode aumentar conflitos com humanos.
- Preocupações sobre participação de comunidades locais e consentimento livre, prévio e informado (FPIC) também são levantadas por especialistas em sustentabilidade.
- A reportagem aponta que o projeto de carbono e turismo seria liderado pela ex-diplomata Karen Brooks, em meio a críticas sobre acesso a áreas públicas e uso de recursos de carbono, além de críticas sobre turismo de luxo que pode excluir moradores locais.
Way Kambas National Park, na ilha de Sumatra, está em foco após o governo da Indonésia propor uma reclassificação de uso do solo. A ideia é transformar a área de proteção estrita em uma zona voltada para comércio de carbono e turismo de luxo, visando financiar a conservação. O plano foi apresentado como uma operação de restauração de ecossistemas por meio de créditos de carbono.
A proposta reduziria o núcleo de proteção de Way Kambas pela metade, de aproximadamente 60 mil para 27,7 mil hectares, e ampliaria quase dez vezes a área disponível para carbono e desenvolvimento. A medida gerou críticas de especialistas em meio ambiente e de ativistas, que questionam impactos na fauna local, em especial os elefantes asiáticos.
Entre os críticos, estão o ecologista Wishnu Sukmantoro, da IUCN, e o Fórum Walhi. Eles alertam que reduzir o core pode aumentar conflitos entre humanos e animais, ao deslocar animais para áreas habitadas. Também destacam a necessidade de consulta aos comunidades locais e do consentimento livre, prévio e informado.
Outra voz destacada é a de Aida Greenbury, que atua no World Bioeconomy Forum. Ela enfatiza a importância de engajamento comunitário e do FPIC (consentimento livre, prévio e informado) para a integridade de projetos de carbono. Cooperação com comunidades locais é apontada como essencial para legitimidade.
Investigação de Tempo indica que o impulso para o carbono e o turismo em Way Kambas é liderado por Karen Brooks, ex-diplomata dos EUA. Brooks teria se encontrado com o presidente Prabowo Subianto e feito lobby pela legalização de crédito de carbono e pela reclassificação de trechos do parque.
O componente de turismo de alto padrão também é alvo de críticas. Conservacionistas argumentam que a busca por turismo de luxo, com diárias que podem chegar a valores elevados, pode excluir moradores locais e o público em geral do acesso ao espaço público protegido. Irfan Tri Musri, da Walhi, relata preocupações sobre exclusão.
Por sua vez, o ministro de Florestas, Raja Juli Antoni, afirmou que parques nacionais costumam gerar gastos e não lucro, e que a proposta busca fontes de financiamento inovadoras e sustentáveis, incluindo participação privada, para tornar as áreas protegidas internacionais. A gestão, porém, ainda depende de decisões sobre a destinação dos recursos obtidos.
Especialistas alertam para riscos de fragmentação de habitat e a priorização de turismo e créditos de carbono em detrimento da biodiversidade. Também há inquietação quanto ao papel de lobistas estrangeiros e à clareza sobre o destino dos recursos de carbono. A defesa é pela proteção do Way Kambas como patrimônio nacional, com benefícios diretos para comunidades locais e para a fauna.
As informações indicam que a discussão segue em curso, com diferentes atores avaliando impactos ambientais, sociais e econômicos do possível novo modelo de financiamento. As autoridades ainda não divulgaram detalhes finais sobre a implementação ou a governança dos recursos.
Fontes de referência indicam que o tema envolve interesses complexos entre conservação, finanças e interesses locais, exigindo transparência e participação efetiva para o andamento de propostas futuras.
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