- A guerra moderna depende da velocidade de processamento de dados: sensores, drones e satélites geram fluxo contínuo de informações, com vantagem para quem processa mais rápido. A Bundeswehr chama isso de “guerra centrada em dados” (data-centric warfare).
- A tendência é que a informação flua de ponta a ponta, do sensor inicial ao efeito no campo de batalha, tornando a digitalização essencial para o sucesso.
- A Alemanha planeja fortalecer capacidades com mísseis de loitering e ampliar a defesa aérea, engenharia e logística para manter a prontidão de combate, indo além do equipamento isolado.
- A primeira unidade a receber os novos sistemas será a 45.ª Brigada de Tanques de Combate, em Lituânia, com implantação prevista de cerca de 4.800 militares e 200 funcionários civis até 2027 para ampliar a dissuasão na frente leste da OTAN.
- Freuding ressalta que a dissuasão resulta da combinação de prontidão, crescimento de pessoal e material, e inovação contínua, afirmando que a ameaça é real e o objetivo é “prevalecer” e vencer.
A defesa alemã reforça que o campo de batalha está se tornando mais transparente, com drones, sensores e satélites gerando dados em tempo real. O chefe do Exército Alemão, o General de Brigada Christian Freuding, diz que a velocidade de processamento decide quem vence.
Ele explica que operações modernas dependem de dados mais do que de armas isoladas. O Bundeswehr trabalha com a ideia de guerra centrada em dados, em que a informação funciona como munição central, influenciando decisões em tempo recorde.
Freuding afirma que o fluxo de informações precisa atravessar todo o sistema, do sensor inicial ao efeito no campo de batalha, desde o nível de corpo de tropas até o operacional. A digitalização deixa de ser opção para se tornar requisito de eficácia.
Dados e previsões estratégicas
Segundo o chefe, é essencial que a missão avance com sistemas de comando e informação capazes de processar grandes volumes de dados, com apoio de inteligência artificial. Desde a invasão da Ucrânia, a Bundeswehr passou por uma reformulação acelerada.
O militar destaca que o problema não é apenas a falta de material, mas a ausência de capacidades de combate integradas. Tanques sozinhos não geram poder de combate sem pessoal treinado, comando sólido e logística robusta.
A ofensiva tecnológica inclui mísseis de loitering, que pairam no alvo antes de agir, com custos menores e maior precisão. Freuding vê nessa linha uma nova era para operações de longo alcance.
Implementação prática e cronograma
O conceito ganhou celeridade: após autorizações iniciais em 2024, o Inspector General Carsten Breuer aprovou o planejamento. Em seis meses, já havia bases definidas, com compras previstas para 2025 e até três dígitos de unidades.
Com financiamento de 25 milhões de euros autorizados em fevereiro de 2026, a aquisição em grande escala deve ocorrer a partir de outubro de 2026. A primeira unidade a receber os sistemas será a 45ª Brigada Blindada, na Lituânia, para reforçar a presença do leste europeu.
A brigada de cerca de 4.800 soldados, acompanhados de 200 funcionários civis, ficará em Rūdninkai, a aproximadamente 30 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, até 2027. O objetivo é fortalecer a dissuasão no flanco oriental da OTAN.
Desafios domésticos e lições da guerra
Para Freuding, o aumento rápido da brigada requer realocação de pessoal e reposição de equipamento de unidades existentes, um processo descrito como necessário, ainda que doloroso. A ideia é fechar lacunas de prontidão e capacidades nos próximos anos.
As lições da guerra na Ucrânia influenciam a estrutura e o treinamento da Bundeswehr na Lituânia, bem como o desenvolvimento mais amplo da força na Alemanha. O objetivo é transformar a força em um núcleo de dissuasão duradoura, com tecnologia, logística e gestão de informações em nível elevado.
Entre na conversa da comunidade