- Uma alegação falsa de que Péter Magyar, líder da oposição húngara, pretende reintroduzir o serviço militar obrigatório circula online, ligada a uma campanha de desinformação russa.
- Pesquisadores atribuem a origem da teoria ao Storm-1516, grupo de disseminação de notícias falsas que atua em eleições na Europa.
- A afirmação usa redes sociais e um vídeo/fake news jornalístico para sugerir que Magyar prometeu conscrição para preparar o país para a guerra; não há evidência dessa proposta.
- O manifesto do partido Tisza, de Magyar, afirma explicitamente que não haverá conscrição caso sejam eleitos. Também não defende envio de tropas para a Ucrânia.
- O Storm-1516 já usou sites falsos e anúncios no Facebook para alcançar eleitores, incluindo uma campanha que simulava reportagens e tentou desacreditar Magyar.
O que acontece é que uma alegação falsa sobre o líder da oposição da Hungria, Péter Magyar, ganhou desinformação online, associada a uma campanha russa antiga de desinformação. A falsa afirma que Magyar defende o retorno ao serviço militar obrigatório.
Segundo pesquisadores, a mensagem foi disseminada no X e no Facebook com uma imagem simular de telejornal, insinuando que Magyar afirmou aos eleitores que a Hungria precisa do serviço militar para se preparar para a guerra.
Não há evidência de que Magyar nem o partido Tisza, de posição pró-EU, pretendam reintroduzir o recrutamento obrigatório. O manifesto do partido afirma exatamente o contrário.
Contexto e ligações internacionais
A campanha de desinformação é associada ao Storm-1516, grupo russo reconhecido por disseminar notícias falsas para influenciar eleições na Europa. A relação foi identificada pelo Gnida Project, centro de investigação de código aberto.
A Storm-1516 já foi mencionada em relatórios da Microsoft Threat Analysis Centre, que aponta uma rede de atores russos visivelmente coordenados para minar candidatos democráticos. Em 2025, autoridades alemãs também trataram de interferência associada ao grupo.
Os investigadores destacam que a Storm-1516 utiliza perfis simulados de cidadãos, sites falsos e notícias falsas para alavancar desinformação. Em Hungary, o grupo chegou a criar reportagens falsas que imitavam veículos renomados.
Táticas e alcance
Entre as táticas identificadas estão contas falsas, sites de notícias falsos e anúncios pagos no Facebook. Um anúncio com foto de Magyar dizia que todos os jovens teriam de cumprir o serviço, alcançando milhares de usuários, principalmente acima de 50 anos.
A plataforma Meta impôs restrições a anúncios políticos em 2025, em resposta às regras da União Europeia sobre publicidade eleitoral. A campanha online foi associada a uma página de salão de beleza já removida.
A Gnida Project aponta que a Storm-1516 costuma contratar equipes regionais para executar campanhas específicas. Em vários casos, materiais visuais com formatos verticais têm sido usados para impactar audiências locais.
Desdobramentos na Hungria
Relatórios indicam que a Storm-1516 intensificou ações voltadas a Magyar e ao Partido Tisza nas semanas anteriores às eleições, com foco em descredibilizar o oposicionista e associar o tema ao conflito na Ucrânia.
Além disso, houve disseminação de conteúdos que fingiam ser investigações jornalísticas de organizações inexistentes, tentando criar narrativas de corrupção ou uso indevido de fundos da UE. Tais conteúdos foram publicados em inglês e húngaro.
Observações finais do cenário
Especialistas ressaltam que as táticas de Storm-1516 combinam desinformação com engenharia social, visando amplificar narrativas favoráveis aos interesses russos. O objetivo é moldar a percepção pública durante o período eleitoral.
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