- Aci Europe advertiu, em carta aos comissários da UE, que se o Estreito de Hormuz não reabrir completamente em até três semanas há risco de esgotamento de parafina para aviação na Europa.
- O relatório cita que cerca de quarenta por cento do abastecimento mundial de combustível de aviação passa pelo Hormuz e que reservas estratégicas de parafina em alguns países europeus duram apenas de oito a dez dias.
- Alguns aeroportos italianos já adotaram medidas de racionamento devido a dificuldades de fornecimento, segundo relatos da imprensa italiana.
- Aci Europe pediu à Comissão Europeia medidas extraordinárias, como compras coletivas de combustível e obrigações direcionadas a refinarias, além de mapear rapidamente produção e disponibilidade para os próximos seis meses.
- O preço do combustível de aviação permanecia alto, com impactos esperados sobre tarifas e conectividade, potencialmente afetando a economia europeia e o turismo.
O Conselho de Aeroportos Internacional (ACI Europe) alertou que, se o Estreito de Hormuz não reabrir plenamente em até três semanas, a Europa pode enfrentar uma crise de abastecimento de parafina para jatos. A avaliação, divulgada em carta enviada aos comissários europeus de Transporte e Energia, aponta que a situação pode afetar fortemente os cronogramas das companhias aéreas, especialmente no pico de turismo do próximo verão.
A carta, datada de 9 de abril, assinada pelo diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, reforça que as reservas de parafina estão no limite e que atividades militares na região elevam as dificuldades logísticas. Segundo o Financial Times, cerca de 40% do suprimento global de combustível para jatos passa por Hormuz. A Corriere della Sera acrescenta que vários países europeus possuem reservas estratégicas para apenas oito a dez dias.
Medidas propostas pela ACI Europe
A instituição solicita à Comissão Europeia medidas excepcionais, como compras coletivas de combustível de aviação em nível da UE e imposição de obrigações direcionadas às refinarias para proteger a produção de combustível de jato. Também pede mapeamento urgente da produção e disponibilidade nos próximos seis meses, já que não existe monitoramento centralizado.
Em Itália, aeroportos já recorreram a racionamento de combustível após dificuldades de abastecimento de operadora especializada. O aumento de custos força companhias a reduzir serviços. O jornal aponta que Delta Airlines planeja diminuir capacidade em 3,5%, enquanto Lot e Air New Zealand cancelam voos não lucrativos e elevam tarifas.
O cenário é agravado pela ausência de benefício imediato com a trégua entre EUA e Irã, vigente desde esta semana. O estreito continua com tráfego restrito e cerca de 170 milhões de barris permanecem bloqueados no Golfo Pérsico. O preço do combustível de jato fica em aproximadamente 1.573 dólares por tonelada, mais que o dobro do nível pré-conflito.
O presidente da Agência Internacional de Energia descreveu a crise como uma das mais agudas da história, com impactos também na segurança alimentar global. As avaliações ressaltam que uma redução de conectividade pode prejudicar seriamente a economia europeia diante da elevação recente do preço do petróleo.
Entre na conversa da comunidade