- Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral da ONU, afirmou à Euronews que a culpa pela continuidade de guerras não é da ONU, mas dos Estados-membros que abusam do veto.
- Ela disse que, quando um Estado-membro inicia uma guerra, não é a ONU que falha, e sim o país que viola a Carta, destacando a necessidade de pressão de outros membros.
- O principal obstáculo para a ação da ONU hoje são os poderes de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.
- Em dois mil e vinte e quatro, os membros permanentes apresentaram oito vetos em sete projetos de resolução, o maior número desde mil novecentos e oitenta e seis, com EUA e Rússia como protagonistas.
- Baerbock mencionou a reforma do Conselho de Segurança e o programa UN80 para ampliar eficiência e limitar o veto, ressaltando que há pouca disposição entre os membros permanentes para ceder poder; também comentou sobre o Board of Peace, criado para Gaza, com custos significativos para países convidados.
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou à Euronews que a continuidade de guerras não é responsabilidade exclusiva da organização, mas sim dos estados-membros que violam o direito internacional. Ela defendeu que o UN precisa da pressão de várias nações para avançar.
Baerbock ressaltou que a ONU não é um ator único, mas um conjunto de 193 Estados diversos, funcionando como um sistema judicial mundial onde muitas partes devem concordar. Ela comparou a atuação da ONU à necessidade de colaboração entre autoridades de aplicação da lei.
Segundo ela, o principal entrave para enfrentar conflitos hoje são os poderes de veto no Conselho de Segurança, exercidos pelos M5: China, França, Rússia, Reino Unido e EUA. Esses países podem bloquear resoluções que visem a paz.
Em 2024, os vetos atingiram níveis altos, com ações relativas a Ucrânia e Gaza envolvendo os membros permanentes. Em 2025, a pauta manteve-se, alimentando críticas sobre a eficácia do Conselho.
Baerbock apontou que o uso do veto impede decisões, e que quem o utiliza precisa assumir a responsabilidade pelo impasse. Isso alimenta chamados por reformas estruturais no organismo.
Ela mencionou ainda propostas de ampliar a representação permanente para África e América Latina, como parte de reformas discutidas há anos para reduzir o poder dos vetos.
No âmbito de reformar a ONU, o secretário-geral António Guterres lançará, em 2025, a iniciativa UN80, com foco em estrutura, mandatos e finanças. O objetivo é tornar a organização mais ágil, mas não há consenso entre os M5.
Apesar das críticas, Baerbock enfatizou a importância de manter a igualdade entre Estados no sistema da ONU. Ela reiterou que cada país tem voz igual no tratamento de paz e segurança, independentemente de tamanho ou poder.
Veto e perspectivas de reforma
- O veto dos M5 continua sendo alvo de debate, com pressões para limitar esse poder.
- Movimentos para ampliar representatividade regional seguem em pauta, sem consenso entre os membros permanentes.
- A UN80 será apresentada como tentativa de simplificar estruturas e melhorar finanças, mantendo a exigência de apoio unânime para mudanças no Conselho.
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