- Eleitores na Hungria vão às urnas no domingo, e a União Europeia avalia dois cenários: continuação do atrito com Viktor Orbán ou vitória de Péter Magyar que poderia resetar as relações.
- Se Orbán vencer, diplomatas esperam aprofundamento das tensões, possível adulteração na abertura de capítulos de adesão da Ucrânia e continuação do veto, dificultando acordos entre a UE e Budapeste.
- Se Magyar vencer, há otimismo cauteloso em Bruxelas, com prioridade de desbloquear fundos da UE já travados; cerca de 17 bilhões de euros continuam bloqueados de um total de 27 bilhões.
- Magyar sinalizou oposição ao pacto migratório da UE e resistência a acelerar a adesão da Ucrânia; pode buscar adesão ao Escritório Europeu de Procuradores (EPPO) para facilitar liberação de recursos.
- Diplomatas destacam incertezas sobre o perfil de Magyar e ressaltam que qualquer mudança dependerá de cooperação entre o governo e o bloco, bem como de mudanças legislativas em Budapeste.
O andamento das eleições na Hungria, neste domingo, coloca a União Europeia diante de dois cenários. Caso permaneça o atrito com o premiê Viktor Orbán, o bloco pode seguir com bloqueios e táticas de diplomacia dura. Se vencer Péter Magyar, líder da Tisza Party, há a expectativa de uma reaproximação cautelosa com Bruxelas.
Orbán tem usado o veto como instrumento de poder, gerando tensão com Bruxelas e protagonizando impasses internos. Em março, ele bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, após desentendimentos sobre o gasoduto Druzhba. A postura pode continuar influenciando a política externa da Hungria.
Magyar acumula promessas de restabelecer laços com a UE e a OTAN, atraindo aprovação em algumas estimativas de opinião. No entanto, ele não se apresenta como um liberal tradicional. A liderança de Tisza já lidera as pesquisas, mas o cenário permanece incerto.
Cenário se Orbán vencer
Diplomatas da UE preveem que, mantido o poder, as tensões com Bruxelas se intensifiquem e avanços no empréstimo à Ucrânia fiquem ainda mais difíceis. A possibilidade de abrir capítulos de adesão com a Ucrânia pode depender de consenso entre os 27 membros, algo improvável diante de oposição húngara.
As avaliações indicam que Orbán pode fortalecer alianças no Parlamento Europeu, ampliando o grupo Patriots for Europe. Internamente, a percepção é de que a vitória pode não trazer mudanças rápidas, com red lines inegociáveis sobre a Ucrânia e a unanimidade entre os Estados-membros.
Cenário se Magyar vencer
Caso Magyar assuma, a percepção internacional é de otimismo cauteloso. A expectativa é de menor uso do veto e de uma condução mais cooperativa com a UE, embora o líder não haja adiantado mudanças radicais em temas sensíveis, como migração e adesão da Ucrânia.
A prioridade inicial seria desbloquear fundos da UE congelados, com parte dos 27 bilhões de euros destinados à Hungria ainda retida por questões de Estado de direito. Medidas rápidas dependeriam de mudanças legislativas em Budapeste.
Alguns analistas apontam que, se o governo mudar, a Hungria poderia buscar entrada na European Public Prosecutors’ Office, abrindo caminho para o acesso a recursos sem deliberação política de alto nível. O horizonte inclui a possibilidade de prorrogações e ajustes em prazos de programas de recuperação.
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