- Cuba estuda a movimentação militar dos EUA diante das ameaças de Trump de “tomar Cuba”; o governo em Havana vê a possibilidade como algo para o qual se preparou.
- O embaixador cubano, José R. Cabañas Rodríguez, diz que o risco de ação militar existe desde 1959 e ressurge em momentos de fragilidade econômica dos EUA; a base de Guantánamo permanece ocupada desde 1903.
- Segundo o diplomata, há excesso de informações sobre invasão, prática que ele vê como tentativa de amedrontar a população.
- Cuba negocia com os EUA para importar petróleo após o endurecimento do bloqueio, que já deixou o país sem petróleo por mais de três meses; um cargueiro russo trouxe parte do abastecimento.
- Diaz-Canel denunciou à ONU o bloqueio energético como punição à população; nos EUA há apoio à normalização das relações, e Díaz-Canel concedeu entrevista à NBC News.
Diante de ameaças de Donald Trump de tomar Cuba, o governo cubano analisa a movimentação militar dos EUA na região. Em Havana, autoridades ressaltam que a invasão é uma possibilidade para a qual o país se prepara, em função do cenário atual de tensões.
O embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez, em entrevista à Agência Brasil, afirmou que o risco de intervenção militar permanece desde a Revolução de 1959 e ressurge quando a economia dos EUA passa por fragilidades que possam favorecer um ataque.
Cabañas, que atuou como representante de Havana em Washington a partir de 2012, lembra passagens históricas em que a invasão parecia iminente, como Granada (1983) ou Panamá (1989). Ele ressalta que, hoje, a base naval de Guantánamo sustenta presença de forças sem necessidade de deslocamento para a ilha.
Ainda segundo o diplomata, há um excesso de informação sobre uma possível invasão, o que ele classifica como tentativa de amedrontar a população cubana. A situação se desenha em meio a pressões econômicas recentes impostas pelos EUA.
Negociação com EUA
A Casa Branca tem renovado ameaças de ação militar após o endurecimento do bloqueio e sanções a países que vendam petróleo a Havana. Tal contexto agravou o déficit de energia no país e gerou apagões na capital e no interior, que abriga 11 milhões de habitantes.
No fim de março, um petroleiro russo entregou 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto, buscando amenizar a crise, mas o volume atende apenas parte da demanda mensal. Em paralelo, Cuba iniciou negociações com Washington para tentar um acordo de importação de petróleo.
José Cabañas destaca que Cuba já negocia com a Casa Branca há anos, mas sem abrir mão de soberania. Segundo ele, o país busca relações baseadas em igualdade, respeito e reciprocidade, sem ceder a concessões que comprometam a soberania.
Denúncia na ONU
Na semana passada, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou à ONU o bloqueio energético americano como punição coletiva que visa subjugar o povo cubano pela fome, doenças e ausências de bens básicos. O governo cita impactos diretos na saúde e no fornecimento de energia.
Relatos de moradores de Havana mostram o momento considerado mais difícil desde o endurecimento do bloqueio ao fim de janeiro, com cortes de energia que afetam serviços essenciais.
Na relação com a opinião pública dos EUA, Díaz-Canel recebeu parlamentares democratas críticos ao bloqueio, inclusive uma deputada que defende normalizar as relações. O tema também ganhou atenção de veículos norte-americanos.
Em entrevista a uma rede de televisão norte-americana, o presidente cubano reiterou a determinação de resistir a qualquer ação militar, mantendo o foco da política externa em defesa da soberania.
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