- Peter Magyar venceu as eleições na Hungria e assume a oposição à continuidade da linha de Viktor Orbán, enfatizando que a Ucrânia é vítima da guerra e citando o Memorando de Budapeste de 1994 para defender a integridade territorial de Kyiv.
- Magyar afirma que não fará uma guinada em relação à Ucrânia e buscará relações amistosas com os vizinhos, mantendo, porém, a defesa dos interesses húngaros.
- Kyiv informou que, no dia seguinte à eleição, suspendeu o aviso de viagem a Hungria e disse que a invasão russa continua sendo o maior tema entre os dois países.
- O novo governo húngaro sinaliza uma abordagem pragmática em relação a Moscou: está disposto a falar com Putin, mas não pretende ligar de imediato; a intenção é encerrar o conflito de forma pacífica, se possível.
- O programa da Tisza prevê diversificação de energia para reduzir a dependência da Rússia até 2035 e revisão do projeto da usina nuclear sob liderança da Rosatom.
Pelo tom de sua primeira aparição pública após vencer as eleições, o novo premiê húngaro, Péter Magyar, afirmou que a Ucrânia é vítima do conflito e reiterou que o governo deve preservar a integridade territorial do país, com base no Memorando de Budapeste de 1994. A declaração ocorreu em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, em Budapeste, após a vitória eleitoral no domingo.
Magyar esclareceu que busca relações elevadas com vizinhos, sem abandonar a posição de seu partido, mas sinalizou que não fará uma guinada em relação à linha de Orbán. O premiê eleito disse que representa interesses húngaros e pode confrontar Bruxelas quando necessário.
Pelo lado de Kyiv, o governo ucraniano anunciou que, um dia após as eleições, flexibilizou um alerta de viagem para cidadãos ucranianos que pretendiam ir a Hungria. O chanceler Andrii Sybiha classificou a campanha na Hungria como carregada de retórica antiucraniana, mas afirmou que o período de risco de provocações diminuiu.
Mudança de tom sobre a relação com Kyiv
A relação entre Budapeste e Kyiv esteve estremecida nos últimos meses, sobretudo após Orbán vetar pacotes de ajuda financeira à Ucrânia e sanções à Rússia. Kyiv sinaliza disposição de dialogar com o novo governo húngaro para retomar uma agenda diplomática mais estável.
Magyar já havia indicado, em entrevista à AP, que os numerosos vetos de Orbán visavam agradar sua base eurossensível, porém sem excluir a cooperação com a União Europeia. O novo governo, porém, promete defender de forma firme os interesses húngaros.
Na prática, Kyiv aguarda um passo concreto de Magyar. Enquanto isso, Zelenskyy parabenizou Magyar pela vitória e manifestou abertura para cooperação construtiva, destacando o interesse de manter relações de vizinhança.
Posição sobre Moscou e energia
Magyar citou um tom pragmático em relação à Rússia, afastando a ideia de alinhamento total com Moscou, diferente de Orbán. O premiê eleito disse que, se Putin ligar, atenderá, mas não iniciará contatos de forma proativa.
O governo de Magyar também visa reduzir a dependência energética da Hungria. O programa do partido Tisza aponta para diversificação até 2035 e reavaliação do projeto da usina nuclear liderada pela Rosatom.
Entre na conversa da comunidade