Os Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira (14) que o bloqueio naval imposto no Estreito de Ormuz tem sido efetivo: nenhuma embarcação conseguiu atravessar a área desde o início da operação, segundo comunicado das Forças Armadas americanas. A ação foi iniciada um dia antes, com o posicionamento de 12 navios de guerra na entrada do estreito, […]
Os Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira (14) que o bloqueio naval imposto no Estreito de Ormuz tem sido efetivo: nenhuma embarcação conseguiu atravessar a área desde o início da operação, segundo comunicado das Forças Armadas americanas.
A ação foi iniciada um dia antes, com o posicionamento de 12 navios de guerra na entrada do estreito, no Golfo de Omã. A ordem é interceptar embarcações com destino a portos iranianos ou que mantenham relações com o país, em resposta à postura de Teerã em relação à reabertura da rota marítima.
De acordo com os militares, cerca de 10 mil integrantes, entre marinheiros, fuzileiros navais e aviadores, participam da operação, apoiados por navios e dezenas de aeronaves. Nas primeiras 24 horas, seis embarcações comerciais receberam ordens para dar meia-volta e retornar a portos iranianos.
Dados de monitoramento marítimo indicam que navios estrangeiros já começaram a ajustar suas rotas diante do bloqueio. Pelo menos duas embarcações chinesas mudaram de direção ao se aproximarem da região.
Um dos casos mais emblemáticos é o do petroleiro Rich Starry. A embarcação atravessou o estreito em direção ao Golfo de Omã, mas interrompeu o trajeto e iniciou retorno após se aproximar da área controlada pela Marinha americana. O navio, de médio porte, transporta cerca de 250 mil barris de metanol e está sob sanções dos Estados Unidos por manter relações comerciais com o Irã.
Outros petroleiros com ligações com o país também foram identificados por plataformas de rastreamento, entre eles Elpis, Peace Gulf, Murlikishan e Guan Yuan Fu Xing.
Pressão sobre o Irã
O bloqueio ocorre em meio à escalada da crise envolvendo o Irã e à restrição parcial do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, responsável por cerca de 20% do fluxo global.
Até então, o governo iraniano vinha permitindo a passagem de algumas embarcações, especialmente de parceiros estratégicos, mediante cobrança de taxas que podiam chegar a US$ 2 milhões por navio. Ao mesmo tempo, navios iranianos continuavam operando, garantindo a manutenção de uma das principais fontes de receita do país.
A decisão americana altera esse equilíbrio. Em declaração recente, o presidente Donald Trump afirmou que determinou a interceptação de embarcações que tenham pago esse tipo de tarifa ao Irã, classificando a prática como ilegal.
A estratégia segue uma lógica de pressão econômica: ao restringir o escoamento de petróleo, os Estados Unidos tentam atingir diretamente uma das bases da economia iraniana, na qual o setor petrolífero responde por uma parcela relevante da atividade.
Analistas avaliam que a medida também tem objetivo político, ao buscar forçar o Irã a negociar uma solução para o impasse dentro dos termos defendidos por Washington.
Reações e impacto
A China criticou a operação, classificando o bloqueio como “perigoso e irresponsável” e alertando para o risco de agravamento das tensões internacionais.
Enquanto isso, o tráfego marítimo na região segue sob monitoramento intenso, e o Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações do mercado global de energia, diante do potencial impacto sobre o abastecimento e os preços do petróleo.
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