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UE atua contra produtos chineses que contornam tarifas via Belt and Road

Europa impõe sobretaxas anti-dumping sobre fibra de vidro chinesa por meio de Belt and Road; tarifa varia de 11% a 25,4%, mas setor teme novos fechamentos e aumento de importações

In this July 15, 2019, photo, workers wrap glass fiber rolls next to the robot arms at a factory in Jiujiang in central China's Jiangxi province. July 31, 2019.
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  • A Comissão Europeia impôs medidas anti-dumping sobre fibra de vidro produzida por empresas chinesas embaixadas no Egito, Bahrein e Tailândia, usadas na indústria de energia renovável da UE.
  • A ação visa conter importações chinesas que chegam à UE via rotas da Belt and Road para evitar tarifas em produtos classificados como “made in China”.
  • As tarifas sobre a fibra de vidro oriunda desses três países variam de 11% a 25,4% do valor do produto.
  • A indústria afirma que as medidas ainda são insuficientes para enfrentar estratégias de investimento em países terceiros.
  • A notícia acompanha preocupações com impactos no emprego: a indústria de fibra de vidro na UE emprega hoje mais de 4.5 mil trabalhadores diretos e depende de milhares de empregos indiretos.

A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira a aplicação de direitos anti-dumping sobre fibra de vidro produzida por empresas chinesas operando no Egito, Bahrein e Tailândia. A medida busca evitar que vias da Belt and Road contornem tarifas aplicadas a produtos rotulados como feitos na China.

A decisão faz parte de um esforço para frear a entrada de importações asiáticas com subsídios elevados ou vendidas abaixo do custo de produção na China. A fabricação atingida é um insumo-chave para a indústria renovável europeia, segundo Bruxelas.

Os novos direitos variam de 11% a 25,4% do valor do produto. A medida adiciona-se a ações anteriores da UE contra vidro fibra importado de terceiros países ligados à Belt and Road.

A indústria européia já vinha pressionando por ações contra esse fluxo há mais de uma década, para proteger empregos no setor. A decisão também reafirma o uso de medidas em casos de desvio de comércio via rotas não tradicionais.

As importações de fibra de vidro oriundas do Egito, Bahrein e Tailândia representaram 24% do mercado da UE em 2024, com o Egito respondendo por cerca de 18% desse total. O cenário preocupa representantes do setor.

Ludovic Piraux, presidente da Glass Fibre Europe, diz que a investigação revela práticas desleais e envia sinal importante, mas aponta que as medidas permanecem insuficientes para enfrentar estratégias predatórias em terceiros países.

Dados oficiais indicam que, hoje, a indústria da fibre glass na UE emprega mais de 4.500 trabalhadores diretamente e sustenta milhares de empregos indiretos ao longo da cadeia de valor. Medidas miram preservar produção local e empregos.

A COMISSÃO já havia adotado, no passado, ações para conter produtos chineses em vias de desvio, como alumínio-foil da Tailândia e fibra de vidro produzida na Turquia. O objetivo é manter condições de concorrência justas no bloco.

Analistas do setor ressaltam que a situação poderá exigir ações adicionais no médio prazo, caso o fluxo de importações continue crescendo e impactos nos custos de produção se tornem mais pronunciados.

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