- Mais de 1.400 edifícios foram destruídos desde 2 de março, conforme análise da BBC Verify com imagens de satélite e vídeos verificados.
- Comunidades do sul do Líbano, como Taybeh, Khiam, Qouzah, Deir Seryan, Markaba e Aita al-Shaab, sofreram demolições coordenadas; Taybeh teve mais de 400 prédios demolidos.
- Em Aita al-Shaab, mais de 460 edificações foram derrubadas; Naqoura também registrou danos ao quartel da missão de paz da ONU.
- Evacuações ordenadas pelo Exército de Israel atingiram áreas ao sul do rio Litani, depois ao sul do rio Zahrani; houve operação terrestre iniciada em 16 de março.
- O conflito deslocou cerca de 1,2 milhão de pessoas no Líbano; mais de 2.000 mortos no país, e Israel informa 13 soldados e 2 civis mortos por Hezbollah; IDF afirma agir conforme o Direito Internacional Humanitário.
O circuito de demolidos em várias cidades do sul do Líbano fica cada vez mais evidente em imagens de satélite e vídeos verificados pelo BBC Verify. O material mostra que, desde 2 de março, mais de 1.400 estruturas foram destruídas nessas áreas. A análise considera apenas evidências disponíveis e pode subestimar o total.
As demolições ocorrem após uma ordem do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em 22 de março, para acelerar a destruição de casas na região próxima à fronteira, com base no que chamou de modelo em Gaza. A medida integra o contexto da campanha de Israel contra o Hezbollah.
Defensores de direitos internacionais afirmaram que a demolição sistemática pode configurar crime de guerra, segundo o BBC Verify. O Exército de Defesa de Israel (IDF) afirma agir conforme o Direito dos Conflitos Armados e somente destruir propriedades quando há necessidade militar imperativa.
O IDF sustenta que o Hezbollah utiliza infraestrutura militar em áreas civis na região, sem apresentar evidências detalhadas. Em 2 de março, o Hezbollah lançou ataques com foguetes e drones em resposta, conforme o grupo iraniano, que tem apoio na região.
Em retaliação, o IDF disse ter iniciado uma série de ataques contra o que descreve como infraestrutura do Hezbollah no Líbano e abriu uma ofensiva terrestre no sul do país. O governo israelense também ordenou evacuações de civis próximos à fronteira para regiões mais ao sul.
A Organização das Nações Unidas estima que mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas no Líbano, com 820 mil deslocados na região sul, após o início do conflito. Muitos buscaram refúgio no norte ou atravessaram para a Síria, segundo a OCHA.
O ministro da Saúde líbio aponta mais de 2.000 mortes desde o começo do conflito; autoridades israelenses mencionam baixas de helicópteros e civis, associadas a ações do Hezbollah nos últimos seis semanas. As áreas fronteiriças apresentaram mudanças rápidas na paisagem urbana.
Em Taybeh, a cerca de 4 km da fronteira, as demolições aparecem como um conjunto de explosões simultâneas em várias áreas da cidade. Imagens de satélite indicam mais de 400 edifícios, incluindo uma mesquita, destruídos entre 28 de fevereiro e 11 de abril.
Outras cidades, como Khiam, Qouzah, Deir Seryan, Markaba e Aita al-Shaab, aparecem em vídeos verificados com explosões coordenadas que devastaram múltiplos prédios. Em Aita al-Shaab, mais de 460 construções teriam sido demolidas, com máquinas de construção e veículos blindados visíveis nas imagens.
Na Naqoura, instalações da força de paz da ONU (Unifil) também sofreram danos decorrentes das demolitions. A porta-voz da Unifil, Kandice Ardiel, informou que vários prédios próximos ao quartel aparecem destruídos, descrevendo a destruição como ampla e dolorosa para a comunidade local.
A resposta internacional ressalta o debate sobre legalidade e proporcionalidade. Especialistas em direito internacional destacam que a destruição de áreas civis sem necessidade militar estrita pode violar normas humanitárias. A defesa israelense nega ter a intenção de “limpar” populações civis com as demolições.
Especialistas ressaltam ainda que a avaliação de utilidade militar de prédios civis requer análise caso a caso. A destruição em larga escala de comunidades pode ampliar o sofrimento humano e dificultar o retorno de civis deslocados.
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